As catequeses apresentadas na paróquia de Nossa Senhora do Amparo, em Portimão, no âmbito da formação quaresmal que aquela comunidade tem levado a cabo, reuniram ao longo dos três dias, cerca de 80 paroquianos que não quiseram perder mais esta oportunidade de completarem a sua formação pessoal com vista a uma melhor vivência da quaresma e das próximas celebrações pascais. Ao longo dos três dias, D. Manuel Madureira Dias referiu-se ao “Sacrifício da Missa”, à “Comunhão Eucarística” e à “A Eucaristia e a responsabilidade evangelizadora dos cristãos”. Na primeira catequese, o Bispo Emérito do Algarve começou por lembrar que «A Igreja nasceu da Eucaristia e a Eucaristia foi instituída para fazer a Igreja». «A Igreja nasce durante a vida de Jesus, mas só se manifesta a partir do Pentecostes», sublinhou D. Manuel Madureira Dias, tendo acrescentado que «para que a Igreja tivesse que existir, Jesus teve de constituir um núcleo fundamental». «O núcleo eram os doze. Não a Igreja toda, mas a substância da Igreja», afirmou o Bispo Emérito da diocese algarvia, recordando que «foi graças aos discípulos que o mistério de Deus, da pessoa de Jesus Cristo e da sua ressurreição começou a ser apregoado no mundo». «Ele instituiu um grupo de pessoas, às quais confiou o poder de perpetuarem, depois da sua morte e ressurreição, o gesto que praticou naquela noite. E não é apenas a prática de um gesto para se lembrar o que aconteceu há 2000 anos. É para dizer: o que aconteceu há 2000 anos, está neste momento a acontecer, porque é o mesmo Cristo, o mesmo Corpo entregue, o mesmo Sangue derramado», frisou. Procurando explicar o sentido da expressão: “a Igreja faz a Eucaristia e a Eucaristia faz a Igreja”, o Prelado salientou que, por «na ceia, na primeira Eucaristia que foi instituída, ter nascido o núcleo da Igreja, a Eucaristia gerou a Igreja». «Mas – completou D. Manuel Madureira Dias – aquela Igreja em núcleo, que ali estava, é aquela a quem Jesus confiou a missão de gerar a Eucaristia». Como consequências desta realidade, o Bispo Emérito do Algarve afirmou que «só aqueles que, pela imposição das mãos, de geração em geração, receberam o poder confiado aos doze, somente esses garantem a existência da Eucaristia na Igreja». «Quem sucedeu ao grupo dos doze é o grupo dos bispos que existem no mundo, que se fizeram participantes da sua missão, alargando-a, depois, aos presbíteros, seus colaboradores», disse, acrescentando que este facto «liga extraordinariamente o sacerdócio à Eucaristia». «Sem padres não há Eucaristia. Está inseparavelmente ligado à celebração da Eucaristia a presença do sacerdote, mesmo que ausente», referiu D. Manuel Madureira Dias. Para esclarecer ainda mais a função do presidente da Eucaristia, o Prelado afirmou que «o sacerdote é indispensável como instrumento». «Não é ele que faz o divino. É o divino que se serve dele para fazer o divino», sublinhou. Referindo-se ao santo sacrifício da Missa, o Bispo Emérito do Algarve recordou que «a essência do sacrifício não é o que se dá, mas a atitude de coração com que se faz a oferta» e clarificou o significado do termo memorial, relacionado com a Eucaristia. «Os judeus celebravam a Páscoa para dizer que o mesmo Deus que realizou o bem de os libertar do Egipto e os fez chegar à terra prometida naquela altura, realiza o mesmo agora. E não para comemorar apenas o acontecimento. Não é a Páscoa do passado, mas a do passado feita presente. Fazer isto assim chama-se fazer um memorial». D. Manuel Madureira Dias sublinhou ainda a fidelidade de Jesus ao projecto do Pai. «Desde que Jesus entrou neste mundo até estar nas imediações da cruz, há uma coisa que Jesus quis fazer sempre: a vontade do Pai», disse, garantindo que «a grande oferta de Cristo está mais naquele manter-se fiel à vontade do Pai, do que até naquilo que faz». «Se Jesus fosse crucificado sem ser para fazer a vontade do Pai, a crucifixão d’Ele era igual à dos ladrões», concretizou, acrescentando que «aquilo que faz com que a oferta de Jesus tenha sentido não é ter sido crucificado, é o ter-se disponibilizado interiormente para tudo, inclusive para ser crucificado». O Prelado lembrou então os cristãos presentes que «não é a dor que tem valor aos olhos de Deus, mas o amor com que se vive a dor». «O amor é que salva, não é o sofrimento. Aquilo que custa não tem valor em si mesmo, mas pelo que exige de amor», esclareceu o Bispo Emérito do Algarve, deixando claro que «não foi por ter sido crucificado que Nosso Senhor Jesus Cristo nos salvou. Foi porque, deixando-se crucificar, nos amou». Procurando esclarecer o significado do termo “sacrifício da Eucaristia”, D. Manuel Madureira Dias estabeleceu uma ligação entre a ceia e a cruz. «Quando Jesus diz: “Isto é o meu Corpo entregue por vós” está a dizer, por antecipação, o que aconteceria depois na crucifixão. A Eucaristia é então sinal sacramental. Sacrifício da Eucaristia, porque o sacrifício está ali já, naquele pão e naquele vinho consagrado», justificou. «Quando celebramos a Eucaristia estamos a tornar presente a ceia. Mas se estamos a tornar presente a ceia, estamos a tornar presente tudo o que a ceia significa. Por conseguinte estamos a tornar presente a vontade de Cristo de continuar a entregar-se por nós», complementou o Prelado. Sobre as «raras referências ao Espírito Santo durante a Eucaristia», D. Manuel Madureira Dias frisou que a sua evocação é feita «para a consagração do Sangue e Corpo do Senhor e, depois da consagração, para que faça da comunidade “um só corpo e um só espírito”». «É tão importante o pão converter-se em Corpo e o vinho converter-se no Sangue, como os fiéis fazerem um só corpo e um só sangue», disse. Na segunda catequese, D. Manuel Madureira Dias destacou que «a dimensão mais saliente da Eucaristia é a de banquete». «Banquete eucarístico e litúrgico», complementou, justificando que, «segundo o ensinamento da Igreja, há na Eucaristia uma dupla mesa: a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia». A comunhão, «outro dos aspectos que sobressai de entre os muitos sob os quais é possível contemplar o mistério da Eucaristia», «deve entender-se – segundo o Bispo Emérito do Algarve – em duas dimensões: a dimensão do invisível, em união com a Santíssima Trindade e a dimensão do visível, que se manifesta na comunhão do Baptismo, da verdade e implica a comunhão com a doutrina dos Apóstolos, os sacramentos e a ordem hierárquica». «A Eucaristia supõe, alimenta e exige a comunhão e não pode ser vista como ponte de partida da comunhão, mas como sua consolidação e vínculo», referiu o D. Manuel Madureira Dias. O Prelado destacou ainda a comunhão eucarística como «viático», pois, lembrando uma referência de João Paulo II, «quem se alimenta de Cristo na Eucaristia não precisa de esperar para receber a vida eterna», pois »já a possui na terra como primícias da plenitude futura». Na última noite, o Bispo Emérito do Algarve referiu-se à «responsabilidade evangelizadora dos cristãos» que advém da Eucaristia. «O amor fraterno é requisito indispensável para podermos participar na Eucaristia», afirmou D. Manuel Madureira Dias, garantindo que «quando assumimos Aquele que foi entregue por nós, não podemos deixar de entender que comungar exige a nossa entrega aos outros». «Não há verdadeira celebração eucarística sem a santificação realizada no amor quotidiano da vida», complementou, acrescentando que «quem recebe a Eucaristia não pode guardar só para si o dom recebido da bondade de Deus», mas «tem a missão e a urgência de o anunciar». «O cristão ao comungar com os homens por Cristo redimidos, não pode não se interessar pela salvação de todos», afirmou D. Manuel Madureira Dias, deixando claro que «a Eucaristia e missão compenetram-se uma na outra», por isso «a Eucaristia é a origem, a fonte, o auge e a finalidade da missão».