Pela terceira vez consecutiva, D. Manuel Neto Quintas escolheu o santuário de Nossa Senhora da Piedade, popularmente conhecido como Mãe Soberana, – o maior santuário de expressão mariana existente no Algarve -, para presidir à celebração da solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, no primeiro dia do ano. Na igreja da colina sobranceira à cidade de Loulé, muitos foram os fiéis que se reuniram para invocarem a protecção e a bênção maternal de Nossa Senhora da Piedade para o novo ano. O Bispo diocesano começou por destacar na sua homilia a existência de "laços fraternos" entre todos os homens como contributo e razão para a paz. "A constatação de que somos filhos de Deus leva-nos a uma descoberta fundamental de que estamos unidos por laços fraternos a todos os outros homens, filhos de Deus como nós. É a mesma vida de Deus que circula em todos nós, por isso não faz qualquer sentido marginalizar alguém por causa da sua raça, cultura, opção religiosa ou política", afirmou. Citando a mensagem do Papa Bento XVI para o primeiro dia de 2007, D. Manuel Quintas lembrou as diversas situações de tribulação, sofrimento, violência ou ameaça pela força das armas que oprimem o homem em tantas partes do mundo. "Respeitando a pessoa promove-se a paz e construindo a paz estabelecem-se as premissas para um autêntico humanismo integral. É assim que se prepara um futuro sereno para as novas gerações", afirmou o Bispo do Algarve, citando Bento XVI. O Bispo do Algarve, com base no documento do Papa, referiu-se ainda ao "duplo aspecto do dom e missão" característico da paz e da pessoa humana. "É um dever de todos os seres humanos cultivar a consciência do duplo aspecto do dom e da missão. Ou seja, a pessoa humana e a paz são dons. É um dom ter nascido e ser pessoa e é um dom viver e fazer crescer a paz", salientou o Prelado, acrescentando que "a paz é também uma tarefa que compromete cada indivíduo a uma resposta pessoal coerente com o plano divino". D. Manuel Quintas frisou ainda que "não podemos dispor da nossa vida e da vida dos outros de modo arbitrário". "É sobre o respeito dos direitos de todos que se baseia a paz", continuou o Bispo diocesano, sublinhando o que lembra o Papa: "a Igreja reivindica os direitos fundamentais de cada pessoa, de modo particular o respeito pelo direito à Vida em todas as suas fases". Enumerando algumas das diversas manifestações contra a paz, como os "conflitos armados, terrorismo, diversas formas de violência, fome, aborto, pesquisa sobre os embriões e a eutanásia", apontadas por Bento XVI, D. Manuel Quintas deu voz à interrogação do Sumo Pontífice: "Como não ver nisto tudo um atentado à paz?". "O aborto e as pesquisas sobre os embriões constituem a negação directa da atitude de acolhimento do outro indispensável para se estabelecer relações de paz estáveis e duradouras", destacou o Pastor da Igreja algarvia do documento pontifício. A terminar, D. Manuel Quintas concluiu que "não é possivel viver em paz, construir a paz e haver progresso sem o respeito pela dignidade da pessoa humana e pelo outro".