Numa noite que ameaçava chuva, tendo mesmo pingado o suficiente para molhar levemente as roupas dos que não traziam guarda-chuva, cerca de 70 adolescentes, jovens e alguns adultos puseram-se a caminho da Aldeia de S. José de Alcalar para a igreja paroquial da Mexilhoeira Grande, num percurso de cerca de 7 ou 8 quilómetros. Entre momentos de oração, de silêncio, de simbologia e de festa, com encenações, projecções, danças e comes e bebes, vários foram as oportunidades que ajudaram os participantes a reflectir sobre a sua adesão a Jesus Cristo. Conforme esclareceu o pároco, padre Domingos da Costa, que lamentou que outros jovens da vigararia de Portimão não tivessem aderido ao convite de participação na actividade, esta acção procurou “tornar o fundador da Companhia de Jesus conhecido na paróquia, para, através de Santo Inácio de Loyola, levar as pessoas a apaixonarem-se por Jesus Cristo”. “Nós cristãos podemos andar a fazer muitas ‘coisinhas’, – ir muitas vezes a Fátima, oferecer muitas velas, andar na catequese não sei quantos anos –, mas se não há paixão por Jesus Cristo, não fica nada”, considera o sacerdote jesuíta, lembrando que “uma característica de Santo Inácio de Loyola é a paixão por Cristo”. “Quando cheguei à paróquia, as pessoas tinham uma noção de Igreja como a sua própria paróquia. Nos últimos 30 anos tem-se descoberto que a Igreja é afinal universal e vai muito para além da paróquia, da vigararia ou da própria diocese”, constata o padre Domingos da Costa, sublinhando não só este como a comunhão com o Programa Pastoral da diocese do Algarve como mais dois dos objectivos da noite. Realizada sob o lema inspirador “Fazei o que Ele vos disser” – o mesmo que acompanha o Programa Pastoral de seis anos da diocese algarvia – a “Noite Inaciana” teve como um dos momentos mais significativos a dramatização do contexto, no qual Maria, mãe de Jesus, terá proferido aquela frase aos serventes de um casamento em Caná da Galileia. Depois de percorrerem uma longa caminhada, em que no silêncio profundo da noite só se ouviam os passos no caminho e os cães a ladrar ao passar dos caminhantes, foi já na Escola EB 2.3 da Mexilhoeira Grande que se fez memória das bodas de Caná. Ali, jovens e menos jovens foram convidados a comprometer-se em melhorar algumas situações menos positivas das suas vidas e, depois, em fazer festa com um pequeno ‘banquete’ de bolos e sumos em que nem sequer faltaram as danças tradicionais da época. Após a festa, a visualização de uma pequena apresentação que realçou algumas situações da vida que ainda, nos dias de hoje, continuam a condicionar a liberdade dos homens ajudou os participantes a sentirem-se, eles próprios, agentes de mudança. Já na igreja paroquial, todos depositaram junto à imagem da padroeira, um pequeno tijolo, símbolo do seu compromisso com a atitude de renovação interior. Orientado pelo António Ori, pelo Andreas Lind, pelo Bruno Nobre e pelo Francisco Martins, quatro jovens noviços da Companhia de Jesus, o Dia Inaciano, composto pelo Retiro para Adolescentes e Jovens, realizado naquele mesmo dia e pela “Noite Inaciana”, mereceu uma avaliação positiva por parte dos futuros sacerdotes jesuítas. “Os jovens e os adolescentes da Mexilhoeira Grande são gente já com alguma caminhada espiritual e isso nota-se. A forma como responderam ao retiro e à caminhada é sinal de algum caminho já feito, de uma certa maturidade e de certo hábito das coisas da Igreja”, afirmou à FOLHA DO DOMINGO, Francisco Martins que orientou a actividade nocturna. Sobre o retiro, que decorreu no Centro Juvenil da Aldeia de São José de Alcalar, das 9 horas encerrando às 18.30 horas com a celebração da Eucaristia, o jovem estudante do segundo e último ano da primeira etapa da formação jesuíta, destacou a motivação dos 46 participantes. No dia seguinte, a segunda jornada da Festa de Cristo Rei, o Dia da Paróquia, foi assinalada com a participação de todas as comunidades na celebração da Eucaristia, seguindo-se um almoço partilhado e um convívio no salão do Lar de Idosos que contou ainda com a renovação do compromisso dos actuais acólitos e a apresentação dos adolescentes que se preparam para fazer a investidura no próximo ano.