Coragem de ‘remar contra a maré’ D. Manuel Quintas, na Eucaristia de abertura da Assembleia Diocesana, a propósito da leitura de São Paulo, referiu-se à “obrigação que os discípulos de Cristo assumiram, no Baptismo, de anunciar o Evangelho”. “Este é também um compromisso pessoal de cada um de nós”, lembrou o Bispo do Algarve, reforçando ser não apenas uma obrigação da Igreja no seu conjunto, mas de cada membro seu, “a título pessoal e individual”. O Bispo diocesano considerou ser este um “compromisso indelegável, irrenunciável e inadiável”. Na Eucaristia, que ficou marcada pela admissão às ordens sacras dos seminaristas Flávio Martins e Pedro Manuel, D. Manuel Quintas considerou que “o serviço que se presta na Igreja, como dom, deve ser um amor gratuito que não exige outra recompensa senão a graça de se sentir em comunhão com Cristo e com todos os que o seguem” e advertiu que “todo o apóstolo que se desliga de Cristo começa a anunciar-se a si mesmo”. O Bispo do Algarve destacou ainda as “atitudes essenciais que devem caracterizar todo o apóstolo de Jesus”. “O evangelizador deve amar apaixonadamente a Igreja, a começar pela sua própria paróquia, tendo o dever de transmitir com fidelidade a mensagem que guarda. Deve viver, através deste anúncio, a comunhão de fé, do culto e da caridade. Deve colocar ao serviço, gratuitamente, os dons recebidos de Deus, a começar na sua própria comunidade cristã. É importante que o apóstolo nunca perca também a coragem profética de obedecer antes a Deus que aos homens e ao mundo. Mesmo que seja necessário ‘remar contra a corrente’ e ter a coragem de ser diferente, é fundamental proclamar o Evangelho com toda a liberdade. É ainda fundamental ser sinal significativo de Deus no mundo e ser sinal da esperança”, destacou. D. Manuel Quintas defendeu ser preciso “tomar consciência que o Reino cresce de acordo com o dinamismo estabelecido por Deus”, o que implica a identificação de 4 leis: “gratuidade, acolhimento, gradualidade e contradição”. O Prelado afirmou que a primeira lembra que “a semente frutifica por si mesma, mas é preciso semeá-la”. A segunda recorda que “a Palavra de Deus só pode dar fruto se for acolhida”. A terceira realça que “o Reino de Deus começa sempre de forma simples, para gradualmente se verificarem resultados surpreendentes”. E a quarta relembra que “o anúncio do Reino não pode desligar-se da cruz, não como um fim em si mesmo”. ‘Peregrinação’ com vista à “conversão pessoal a Cristo” A apresentação projectada de D. Manuel Neto Quintas começou por sintetizar o que se pretende com o lema inspirador do sexénio, deixando claro que ‘Escutar’, ‘Conhecer, ‘Seguir’ e ‘Anunciar’ são as palavras-chave do Programa Pastoral de 6 anos da diocese do Algarve. “Escutar Cristo que fala e escutar e conhecer a realidade local, para crescermos como discípulos de Cristo, identificados com Ele, seguindo-O. Anunciar, através do testemunho, na condição de apóstolos, seguindo o caminho de santidade”, foi assim que o Bispo diocesano explicou o sentido dos quatro verbos associados ao lema do Programa Pastoral, para afirmar, de seguida, que Família, Vocações e Caridade são o tripé mobilizador ao longo deste sexénio. Referindo-se concretamente ao tema deste biénio – “Peregrinar, com Maria, ao encontro de Cristo” –, o Bispo do Algarve destacou que a expressão verbal significa “percorrer um caminho interior”. “Todo o peregrino é um homem de fé. Toda a peregrinação é iluminada e orientada pela fé”, recordou, considerando ser necessário “escutar e seguir a voz d’Aquele que nos precede”. O Bispo diocesano frisou ainda que o acto de peregrinar é uma “opção consciente, decisão assumida, objectivo definido” que tem em vista a “conversão pessoal a Cristo e ao Evangelho” e a “participação co-responsável na missão da Igreja”. Acentuando a dimensão mariana deste biénio pastoral, D. Manuel Quintas destacou Maria como “peregrina de fé”. “Maria, do Pentecostes ao fim dos tempos, acompanha e conduz a Igreja ao encontro de Cristo”, afirmou, lembrando a Igreja algarvia de um aspecto que a define enquanto comunidade de crentes: “somos um povo peregrino, um povo pascal que segue Cristo no caminho para o Pai”. O Pastor diocesano lembrou a propósito que “ser peregrino” é o “estado permanente dos discípulos de Cristo”. D. Manuel Quintas referiu-se então aos ‘frutos’ concretos que se esperam colher no final destes dois anos. “Queremos aprofundar e assimilar os conteúdos da fé, sobretudo a partir da Sagrada Escritura; participar de modo mais vivo e fiel na Eucaristia dominical, com o que isso significa na vida de cada cristão e de cada comunidade cristã; intensificar o sentido de pertença à Igreja e de participação na vida da comunidade; celebrar o Sacramento da Reconciliação como meio privilegiado de conversão pessoal; promover a adoração eucarística, mesmo a partir da mensagem de Fátima, dirigida concretamente às crianças; edificar comunidades eucarísticas, ministeriais, fraternas e missionárias; superar a separação entre a fé e a vida; continuar a privilegiar a Pastoral Familiar, Vocacional e Sócio-caritativa”, enumerou. A terminar, D. Manuel Quintas referiu-se à visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima como “um meio privilegiado para escutar e fazer o que Cristo tem hoje a dizer aos cristãos algarvios”. Família, Vocações e Caridade A manhã da Assembleia Diocesana foi ainda constituída pela apresentação dos aspectos programáticos mais relevantes para os sectores da Pastoral da Família, das Vocações e da Caridade, áreas que a Igreja algarvia continua a privilegiar, e que foi feita pelos respectivos responsáveis diocesanos. Aproveitar visita da Virgem peregrina para formar equipas paroquiais O Sector Diocesano da Pastoral Familiar (SDPF) veio propor na Assembleia Diocesana que se aproveite estes dois anos, em que a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima vai percorrer o Algarve, para “um trabalho de sensibilização à Pastoral Familiar nas paróquias com o lema ‘As Famílias caminham com Maria’”. No fundo, a proposta visa aproveitar a passagem da imagem mariana para a constituição, em cada comunidade paroquial, de uma equipa paroquial de Pastoral Familiar. O assistente do SDPF propôs “que em cada paróquia, no programa de actividades pensadas para a estadia de Nossa Senhora, seja reservado um momento para realizar um encontro com todas as famílias à volta de Maria sobre a temática da Família”, e acrescentou que “a finalidade deste encontro é abrir as famílias ao convite de Maria que aponta para Jesus”. O padre Henrique Varela, que fez ainda referência ao retiro para casais, sobretudo os mais jovens, e às actividades a organizar no âmbito da Semana da Vida, alertou que “a Pastoral Familiar é muito mais abrangente do que os movimentos familiares”. “Não podemos confundir os vários movimentos familiares e os serviços familiares com Pastoral Familiar. São coisas distintas que precisam de ser integradas. A Pastoral Familiar engloba tudo isto. A Pastoral Familiar não pode ser substituída pelos movimentos e serviços familiares”, advertiu, reconhecendo que “os movimentos e serviços, por sua vez, oferecem a espiritualidade e a acção especializada”. Por outro lado, o sacerdote referiu-se às etapas de actuação da Pastoral Familiar e aos seus destinatários. “Todas as famílias, mesmo aquelas que consideramos não constituídas segundo as normas da Igreja, são importantes na sociedade e importantes para a Igreja, mas na prática verifica-se que o modelo de famílias em que tradicionalmente a Igreja tem apostado não responde ao que hoje se pede à família”, disse, acrescentando que “a Igreja tem consciência de que as famílias que querem viver a sua fé em Jesus Cristo encontrarão o apoio indispensável na comunidade cristã que lhes pede também que sejam Igreja doméstica e evangelizadoras”. Encontros com crismandos para promover as vocações O director do Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional divulgou na Assembleia Diocesana a promoção de encontros vocacionais com crismandos, bem como a publicação de um guião com esquemas de oração para ajudar as paróquias neste sector da pastoral. A realização de um retiro vocacional e de férias missionárias no Verão foram outras actividades anunciadas na passada sexta-feira. Começando por lembrar que “a média etária do clero e das consagradas da diocese do Algarve é alta” e que “há poucos sacerdotes e religiosas no Algarve”, o que leva a que “muitas comunidades que não possam ser melhor atendidas e conduzidas”, o padre Rui Guerreiro frisou que “a motivação da Pastoral Vocacional não deve ser a diminuição das necessidades para atender a determinadas obras e tarefas”. “As vocações existem para salvar o povo e a Igreja e dão sentido à vida dos chamados”, afirmou o sacerdote. Procurando responder a algumas sugestões saídas do Conselho Pastoral da Diocese do Algarve, anunciou que serão publicados na FOLHA DO DOMINGO e no portal da diocese na Internet testemunhos vocacionais de sacerdotes e seminaristas, tal como aconteceu há 3 anos com algumas religiosas. Descartadas foram as propostas de divulgação das actividades do Pré-seminário e de realização de uma feira das vocações. “Não faz muito sentido publicar todas as datas do Pré-seminário porque senão teríamos sempre gente nova em cada encontro e o esquema que temos delineado seria um pouco quebrado”, justificou, acrescentando também que “há cerca de 2 anos foi feita uma feira das vocações na Jornada Diocesana da Juventude”. O padre Rui Guerreiro manifestou ainda a vontade daquele sector da pastoral diocesana de trabalhar mais em relação com a Pastoral Universitária e a Pastoral da Juventude. Aposta na formação para criação de grupos paroquiais sócio-caritativos Carlos Oliveira garantiu que a aposta na Pastoral Sócio-caritativa passará este ano pela formação. Nesse contexto, o presidente da Caritas Diocesana do Algarve anunciou a realização de um encontro de apoio paroquial de atendimento social, cujo objectivo é ajudar a “conhecer, atender e descobrir as necessidades primárias das famílias” e que terá como destinatários os responsáveis dos grupos de acção sócio-caritativa. Ainda no âmbito da formação, Carlos Oliveira divulgou a promoção de um Curso de Formação de Animadores da Pastoral Sócio-caritativa, dividido por dois módulos com vista à constituição do grupo paroquial de Pastoral Sócio-caritativa. “Somos chamados a amadurecer a nossa responsabilidade comunitária para as múltiplas formas de pobreza na área de cada comunidade paroquial”, afirmou. Aquele responsável informou ainda que a Faculdade de Teologia da Universidade Católica, em parceria com a Caritas Portuguesa, vai levar a efeito um Curso de Introdução à Doutrina Social da Igreja, através da Internet (e-learning). Carlos Oliveira referiu ainda que, “por sugestão do Conselho Pastoral da Diocese do Algarve, vão retomar as Jornadas de Acção Social, este ano a culminar com a Semana Caritas”. A propósito da acção ‘10 milhões de estrelas – um gesto pela paz’, que este ano reverterá a favor do Lar da Mãe, clarificou que o seu objectivo é “sensibilizar as populações para os valores da paz e da solidariedade e não se pretende apenas vender velas e fotofóros”. A par destas actividades, a Caritas algarvia comprometeu-se acompanhar, desenvolver e divulgar o Lar da Mãe, o SOS Vida e outras iniciativas de formação profissional. Catequeses e guião celebrativo: subsídios disponíveis para adaptação paroquial Após a intervenção sobre o projecto RIDISC, e concretamente sobre Sistema de Gestão Paroquial, o cónego José Pedro Martins, vigário episcopal para a pastoral, referiu-se aos dois conjuntos de catequeses que visam ajudar a viver a passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima pelas paróquias algarvias. O sacerdote lembrou que “as catequeses supõem a existência de um núcleo de animadores em ordem à sua implementação e não se destinam a grupos muito numerosos, mas no máximo a um conjunto de 12 pessoas com vista a permitir a partilha e a inter-relação”. O cónego José Pedro Martins aconselhou ainda a que “quem recebe a imagem já na primeira parte do biénio deverá utilizar, em primeiro lugar, as catequeses marianas” e “depois da visita da imagem entrará então nas catequeses bíblicas”. “Quem receber a imagem peregrina no próximo ano fará o contrário”, explicou. O padre Carlos de Aquino, um dos responsáveis pela elaboração destes subsídios, fez também questão de deixar claro que “ninguém é obrigado a seguir esta metodologia”. Sobre as 17 catequeses e celebrações marianas, passando a explicar a sua metodologia e estrutura, referiu não ser igualmente obrigatório seguir a ordem pela qual são apresentadas. Também sobre as 20 catequeses bíblicas propôs que possam ser efectuadas como as marianas. “Procurou-se uma linguagem acessível para o aprofundamento contínuo e introdutório sobre a Sagrada Escritura”, afirmou. A propósito do guião celebrativo lembrou estar prevista uma caminhada ou peregrinação a um santuário mariano, contendo uma consagração a Nossa Senhora para quando a comunidade recebe ou se despede da imagem peregrina, juntamente com a oração do Anjo, cabendo à paróquia a sua adaptação. “Os textos sobre a aparição do Anjo e sobre as aparições de Nossa Senhora em Fátima podem ser utilizados para uma celebração da palavra ou para a catequização de uma procissão”, afirmou. O guião conta ainda com uma proposta para os mistérios do Rosário, uma ladainha a Nossa Senhora, uma reflexão espiritual sobre a Avé Maria e duas catequeses marianas celebrativas.