Agora o que não podemos tolerar nem compreender é que a vida de uma cegonha ou a protecção dos ovos das cegonhas, como aliás de qualquer outra espécie animal, possa ter para a lei portuguesa mais importância que a protecção do embrião humano, do feto humano, do descendente do homem, do bebé que vive no seio materno uma vida humana intra-uterina. Porém, se a pergunta que os nossos maravilhosos políticos colocam à consideração dos portugueses no próximo referendo nacional de 11 de Fevereiro, obtiver uma resposta maioritariamente favorável, será exactamente isso que acontecerá: A vida animal passará a ter maior valor e a beneficiar de maior protecção legal que a vida humana intra-uterina, e nem se diga que essa vida humana é ainda embrionária, pois a protecção legal concedida às cegonhas e às outras espécies animais vai ao pormenor de proteger também os ovos, ou seja a vida animal embrionária. Se alguém tem dúvidas sobre isto, basta ir ler o artigo 278º do nosso Código Penal, onde se estabelece que "quem, não observando disposições legais ou regulamentares, eliminar exemplares de fauna ou flora ou destruir habitat natural ou esgotar recursos do subsolo, de forma grave, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa até 600 dias". Ora, se a pergunta do referendo for aprovada, teremos um ordenamento jurídico que se preocupa em afirmar formal e solenemente que a destruição da vida animal ou até vegetal pode ser penalmente punida, enquanto que a destruição da vida humana intra-uterina, até às dez semanas de gestação, fica à mercê da vontade, do capricho, do eventual bom ou mau humor de um outro ser humano, que se poderá dirigir a um estabelecimento hospital e exigir que lhe façam um aborto, isto é que eliminem um ser humano em desenvolvimento. O processo será tão fácil, que a mulher que assim o queira, nem sequer terá que dar qualquer justificação, explicação ou razão. Bastará querer e pronto! Sabemos que na verdade, existem muitos casos de mulheres que levam uma vida sofrida e que por vezes recorrem ao aborto em desespero de causa, vítimas de situações dramáticas e extremas. Sabemos isso e muito mais! Mas nós também somos daqueles que pensamos e temos provas dadas nesse sentido, que se podemos ajudar duas vidas, se podemos amar duas vidas, se podemos salvar duas vidas, a vida da mãe e a vida do filho, então não vemos razão para eliminar uma vida, não vemos razão para se consentir e até cooperar na eliminação da vida do filho, até porque também sabemos, que além de se perder irremediavelmente e para sempre a vida do filho, a vida da mãe, vai passar a ser ainda mais triste e amargurada, pois vai ficar sempre com a mágoa, com o remorso de não ter deixado a vida nascer, crescer e florescer! Além disso, também sabemos que à boleia dos casos extremos e dramáticos, há pessoas, mulheres e homens, que defendem o recurso ao aborto, como um método anticonceptivo, a que se deve recorrer quando outros métodos anticoceptivos falham. Esses hedonistas, materialistas e sensualistas, servem-se da pobreza dos humildes, dos casos extremos e dramáticos dos infelizes, para à sombra deles, justificarem os seus crimes e os seus vícios. Nós defendemos para esta problemática uma solução verdadeiramente humanista, que vá à raiz do problema, que ajude a mulher a exercer a sua mais nobre e bela missão sobre a terra, que é ser mãe; que ajude a mãe a ser mãe; que proteja e defenda a maternidade de todas as agressões externas e que ajude o filho a nascer e a viver, pois só uma sociedade que proteja a mãe e proteja o filho, é uma sociedade digna de mercer o nome de civilização. O resto é barbárie, instinto, vício e crime e como nos ensina a sabedoria antiga "o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis".