Diz ainda o Pe. Arrupe que o “coração é um conceito complexo quando o estudamos na teologia bíblica, na linguagem popular ou na vida cristã. E, continuando a aprofundar o conceito escreve: “expressa a totalidade do homem e é anterior à distinção entre corpo biológico e espírito incorpóreo”. É o “centro mais original da unidade psicológica da pessoa. Desenvolvendo esta ideia o Pe. Arrupe afirma que o coração é como a consciência do nascer das decisões. É o Eu do homem, o seu interior a sua personalidade oculta, que se contrapõe ao exterior do homem.O coração é a fonte de toda a vida pessoal; daí vem o pensamento, amor e os sentimentos formaram uma só coisa, aliás, como diz Santo Agostinho nas Confissões, “o meu coração, o­nde eu sou tudo quanto sou”. E referindo-se ao Coração de Cristo diz que tem para nós um significado ainda mais profundo. «A experiência da fé transforma-se para nós em símbolo do amor infinito do Redentor para com o Pai e para com os homens». Quanto a nós: «aproximando-nos desse amor divino simbolizado pelo coração de Jesus, encontraremos a mais eficaz inspiração para a nossa vida de filhos de Deus». É que Ele, o Coração Divino é a porta para o interior de Deus Pai… Aliás, como diz S. João, a Deus nunca ninguém O viu, foi o unigénito do Pai que no-l'O revelou de um modo inequívoco com toda a Sua vida, com a Sua doutrina e os Seus milagres. Cristo revelou-nos, de facto, o amor misericordioso de Deus por cada um de nós e para com todos os homens. E esse amor é tão profundo que até se mantém quando nós, pelas nossas infidelidades, nos tornamos indignos dele. É que Ele é Amor, é ternura infinita sempre pronto a perdoar todas as nossas misérias e pecados… Ele espera-nos sempre no fim do caminho e em todas as circunstâncias da nossa vida. Assim saibamos nós descobri-lo.