Sexta-feira 20 de Setembro de 2019
Inicio / Noticias / O EIXO DO BEM

O EIXO DO BEM

Durante muito tempo, tempo demasiado longo e os resultados vêem-se agora, consideravam-se as crianças, praticamente como os únicos destinatários da catequese. No meu tempo de catequese, e não foi assim há tanto tempo, eu “só” tenho 47 anos, a catequese terminava por volta dos dez anos, com o quarto catecismo, altura em que as crianças celebravam o que à época se chamava a “comunhão solene e profissão de fé” e nas vésperas “recebiam” o Crisma. Ficávamos, como diziam as mães da minha terra, “arrumadinhos”. Os pastores da Igreja, já então tinham consciência de que esta pedagogia não estava certa, que algo não batia certo, de tal modo que o meu velho pároco, na homília da festa da “comunhão solene” fazia sempre o piedoso voto e o alerta angustiado aos pais, para que aquela festa não marcasse afinal o dia da “apostasia da fé”, isto é do afastamento quase total e definitivo da Igreja por parte daquelas crianças. Muitas delas, infelizmente, só voltariam de novo à Igreja, para casar, baptizar os filhos e para alguma festa ou algum funeral. Depois do II Concílio do Vaticano, entende-se que a catequese se dirige a todas as idades, pois todas as idades precisam de ser evangelizadas. Desde logo em todas as fases da vida, encontramos pessoas carenciadas de uma catequese de iniciação cristã, que as prepare para celebrar os Sacramentos da Iniciação (Baptismo, Confirmação e Eucaristia) e eis os catecúmenos, mas também carecem dessa catequese destinada aos adultos, muitos daqueles que, embora baptizados em crianças, se encontram em estado de «quase catecúmenos» por não terem nunca frequentado a catequese ou terem-no feito de modo muito incipiente e rudimentar. Por outro lado torna-se urgente “a passagem de uma fé apoiada na tradição e no ambiente social a uma fé mais pessoal e adulta, esclarecida e convicta”. Com essa finalidade as Paróquias deverão oferecer aos adultos uma catequese dirigida às diferentes circunstâncias de cada um daqueles que por qualquer razão procuram a Igreja, pois a catequese constitui “um instrumento essencial e primário de formação dos cristãos para uma fé adulta”. Por outro lado, aqueles que já atingiram a maturidade da fé, necessitam da formação permanente, formação que pode revestir muitas modalidades, como por exemplo: o “estudo da Sagrada Escritura, priveligiando a pedagogia da Lectio Divina, leitura cristã dos acontecimentos da vida, catequese litúrgica, preparação dos sacramentos, formação cristã de pais. A catequese dos adultos deve ser aliás o paradigma, o modelo, a referência para toda a catequese, como que o “eixo ou princípio organizador, em volta da qual se estrutura a catequese das diferentes idades”, pois são os adultos e não as crianças “que formam a base das comunidades cristãs e orientam (e influenciam) a vida social, cultural e familiar”.

Verifique também

Bispo do Algarve destacou ação das Misericórdias para “curar as chagas humanas e sociais”

O bispo do Algarve considerou ontem que “as Misericórdias se situam entre as instituições que, …