Mas as notícias de há dias e para mais no nosso País, católico de oitocentos anos, de gente generosa, boa e compreensiva, levam-nos a este interrogar e a uma incompreensão, ainda que consideramos como meros ou circunstanciais motivos atenuantes questões várias, não raro com uma maior acuidade da actual fase da vida portuguesa. Segundo o relatório da Amnistia Internacional, que destaca, pela primeira vez, o fenómeno da violência doméstica em Portugal como situação grave de violação dos direitos humanos, no transacto ano de 2005,33 mulheres foram mortas no seio familiar! Numa comparação com a vizinha Espanha, o­nde o indesejado fenómeno cria também contornos do maior preocupação (bastava ter sucedido uma morte para assim o havermos) e considerando o número de habitantes temos 2,5 vezes mais mortes violentas no lar, reconhecendo os técnicos que lidam com estas questões o desconhecimento da real dimensão das mesmas. Não obstante medidas legais introduzidas em Portugal, a partir dos anos 90 do século XX, de modo próprio com a adopção de legislação específica, alterações ao Código Penal e ao Código do Processo Penal, o que é reconhecido pela própria Amnistia Internacional, os números em crescente aí estão a colocar-nos ante uma triste e indesejável realidade: a violência doméstica. Mais do que tudo, o legislado e o que falta legislar, os estudos científicos ou os casos ou experiências, tantas e tantas vezes dramaticamente vividas, a falta de coragem para a denúncia e do apoio total a quem dele precisa para além de paliativos ou palavras circunstanciais, preciso é Amor e que o Amor volte a ser o oxigénio em permanência em cada lar.