Haverá interesses económicos ou outros nesta legali-zação do aborto, não será apenas o provincianismo dos nossos governantes em querer imitar o que se passa em países ditos ricos e evoluídos, mas retrógrados nos valores humanos por manterem instituído o direito à eutanásia, ao aborto e à pena de morte. Neste referendo, a maneira como são inquiridos os portugueses é falaciosa. O problema importante que está em apreço é o direito à vida que o filho tem e não o estado de gravidez da mãe. A pergunta que deveria aparecer ao eleitor deveria ser: os pais podem matar os filhos? Sim ou Não? A mulher ao abortar está sempre a matar o filho. Os defensores do aborto escamoteiam a verdade, dando a entender que até às 10 semanas de gravidez ainda não será bem um novo ser humano que a mu-lher tem dentro de si. A ciência médica é inequívoca ao confirmar que desde o primeiro dia da gravidez, após a concepção, a mulher tem dentro de si um ser humano seu filho. Assim já o expressou publicamente o bastonário da Ordem dos Médicos. Não podemos esquecer que os nossos corpos são pretensa da natureza e temos que os respeitar, como também temos que respeitar os corpos dos nossos filhos. A auto agressão e o suicídio são actos de-sumanos e ilícitos. A liberdade invocada pelas mães que defendem o aborto não pode abranger o direito a matar os filhos, nem ultrapassa a tutela que os pais também têm sobre os mesmos filhos. Os filhos não são de produção independente e os pais podem querer mantê-los vivos. Compreendemos que uma jovem surpreendida por uma gravidez indesejada fique emocionada e perturbada e opte inadvertidamente por esta prática. Já não compreendemos que os nossos políticos governantes, em ambiente de serenidade, a queiram instituir como alternativa aos métodos anticoncepcionais que em nada violam a vida humana. Se há métodos que impedem ter-se filhos, porquê não os utilizar preventivamente? Os governantes com frequência invocam a necessidade de humanizar me-lhor os serviços de saúde deixando claras insinuações de más condutas dos profissionais de saúde, contudo, são eles que paradoxalmente encerram maternidades e serviços de consultas e urgências e mantêm a desorganização e o sub-dimensionamento dos serviços assistenciais, havendo centenas de milhar de pessoas em listas de espera. Será que para os senhores ministros humanizar é dei-xar as populações sem a assistência médica a que têm direito? Será que humanizar é querer utilizar o erário público em serviços abortadeiros? Todas as civilizações passadas, históricas, depois do apogeu, declinaram e tiveram o seu fim. Esta intencionalidade de legalização do aborto é querer sobrepor o materialismo aos valores da vida, poderá ser um dos sinais de decadência civilizacional.