O Menino do Natal, também passou por algo de semelhante: Quando a mãe e o pai do Menino bateram às portas das casas dos amigos, dos conhecidos e finalmente das hospedarias de Belém, todas as portas se fecharam ao Menino do Natal, porque não havia lugar para Ele, porque já estava tudo ocupado, porque não era oportuno acolher uma grávida, porque não dava jeito receber uma parturiente, porque seria incomodativa a convivência com um recém nascido que iria perturbar o sossego dos adultos, o descanso dos hóspedes. Não! Aquele Menino, agora, não dava jeito, se fosse mais tarde… noutra ocasião… se não houvesse tanta gente… se houvesse mais um quarto…se houvesse ao menos mais um berço…se..se…se…mas não, agora não, agora não podia ser! O Menino do Natal nasceu, foi nascer a um estábulo, no meio do gado e em circunstâncias muito precárias, muito pobres, quase sem condições para um parto, mas o Menino nasceu, porque a sua mãe e o seu pai não se deixaram impressionar com as dificuldades, com os obstáculos, com as inconveniências, com as inoportunidades, com as faltas de ajudas dos parentes e amigos, com a falta de tudo… era chegada a hora e o Menino nasceu e porque nasceu, houve Natal! Infelizmente, sabemos que nem sempre assim sucede, nem sempre acontece Natal, porque muitos progenitores, ao longo dos tempos, antes e depois do Menino do Natal, mas principalmente nas últimas décadas, confrontados com as dificuldades, com os obstáculos, com as carências, com as oposições da família e da sociedade, ou ainda por outras razões menos bonitas de serem contadas, preferiram que os seus meninos não nascessem e efectivamente muitos meninos ficaram por nascer. São esses meninos que não nasceram, cuja vida foi abrupta e definitivamente interrompida, pelos quais já nada, mas absolutamente nada, jamais poderá ser feito, que este Natal quero contemplar, que este Natal quero amar, que neste Natal quero especialmente pensar, que este Natal quero fazer memória, quando olhar, quando beijar, quando contemplar a imagem do Menino do Natal, porque eles, tal como eu e como qualquer um de nós, foram criados «à sua imagem», à imagem do Menino do Natal, não obstante serem rostos, serem pessoas, serem meninos que nós jamais conhecemos neste mundo e por isso a única imagem que deles poderemos ter é a imagem do Menino do Natal, à imagem de Quem eles foram criados, à imagem de Quem eles existiram e foram pessoas e no Menino do Natal, no rosto do Menino do Natal, quero por isso ver todos os meninos que nunca viveram o Natal, nem o seu próprio natal, nem tão pouco o Natal do Menino.