Trata-se do único Mosteiro da Ordem de Cister existente em Portugal, desde que em 1834 as ordens religiosas foram expulsas do nosso país. Nesse mosteiro vive actualmente a única irmã de nacionalidade portuguêsa que integra a Ordem Cisterciense da Estrita Obediência, a Irmã Míriam Godinho, que ficou sózinha desde que em 1 de Fevereiro de 1994 faleceu a jovem Irmã Maria Helena Branco, com apenas 28 anos, vitimada por uma grave doença. O Mosteiro de Santa Maria de Marana-tha www.prof2000.pt/users/maranatha localiza-se na freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo, no concelho de Tavira, cidade que curiosamente no passado acolheu muitos mosteiros e conventos, nomeadamente da Ordem de Cister, também conhecida por «Trapa» por referência à grande abadia cisterciense de “La Trappe”. Se hoje 8 de Setembro escrevo sobre este mosteiro, é justamente porque neste dia da Festa da Natividade de Nossa Senhora, se cumprem cinquenta anos de consagração religiosa da nossa Irmã Míriam Godinho. Nesta data a Irmã Míriam estará no Mosteiro Trapista “La Oliva” em Navarra, Espanha, num Encontro de Mestres e Mestras de Noviciado da Ordem de Cister. Numa mensagem que me enviou antes de partir para Navarra, a Irmã Míriam comentava assim a circunstância de neste dia de bodas de ouro de vida consagrada se encontrar numa grande Trapa entre os seus irmãos e irmãs cistercienses: “ O Senhor assim dispôs maravilhosamente, porque estaria sozinha aqui no mosteirinho… É dia de acção de graças!”. Sim, é dia de acção de graças, pelos cinquenta anos de vida religiosa da Irmã Míriam, a quem neste dia queremos estar muito unidos em oração; É dia de acção de graças pela presença entre nós, no Algarve, do único Mosteiro da Ordem de Cister em Portugal! É dia de acção de graças e de oração pela saúde do nosso Bispo Emérito, Senhor D. Manuel Madureira Dias, que foi quem trouxe para o Algarve e criou as condições para que cá permanecesse a Irmã Míriam e o mosteirinho de Santa Maria de Marana-tha, verdadeira jóia preciosa, autêntico tesouro escondido, que o Algarve e Portugal quase desconhecem. A vida de silêncio, oração e trabalho – segundo a Regra de S. Bento, a inspiração de S. Roberto, abade fundador de Cister e dos seus companheiros S. Albérico e S. Estevão Harding e a genial espiritualidade de S. Bernardo de Claraval – que os monges e as monjas de Cister quotidianamente desenvolvem desde as 4 horas da madrugada, são uma benção e uma grande graça em benefício de todo o povo de Deus. No mosteirinho algarvio como em todos os mosteiros trapistas do mundo, vive-se num ambiente de grande silêncio o que favorece a oração, a contemplação e a comunhão espiritual com “as alegrias e esperanças, tristezas e angústias” de toda a humanidade, num “estilo de vida simples, pobre e penitente, na alegria do Espírito Santo, «sem preferir coisa alguma ao amor de Cristo». Ao darmos graças a Deus por tudo isto, peçamos também pelas vocações à vida consagrada cisterciense, por vocações de jovens raparigas, que se queiram juntar à Irmã Míriam, para darem continuidade à presença da Ordem de Cister no Algarve e em Portugal. Confitemini Domino, Aleluia!