Baseado nos princípios das correntes de pensamento “new age”, na cultura do sucesso e do poder do pensamento positivo, com forte implantação nos países anglo-saxónicos e sobretudo nos Estados Unidos da América, os autores de O Segredo divulgam a lei da atracção, defendem que os pensamentos criam a realidade e prometem revelações que transformarão a vida de todos os que as desvendarem. Não há no entanto nenhuma referência a Jesus Cristo, o Mestre dos Mestres. Sendo muitos dos conceitos e experiências apresentadas, verídicas e validadas pela vivência de cada um, as ideias expressas e os ensinamentos ministrados não estão de acordo com a doutrina cristã, porque colocam o indivíduo no centro das decisões, com capacidade para formatar o seu destino sem necessidade de Deus. Não enquadram o desenvolvimento pessoal, legítimo e desejável, com a existência de um Deus de amor que se revelou aos homens através do Seu filho, Jesus Cristo. Por mais tentativas que sejam feitas para apagar Deus da História da Humanidade e da história pessoal de cada indivíduo, crente ou não crente, Jesus Cristo “O Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6), já escreveu a história da salvação. Nós os cristãos temos necessidade de o descobrir como nosso salvador pessoal e rejeitar todas as ideologias, doutrinas, filosofias, seitas e religiões que pregam o homem como centro do universo e senhor do seu próprio destino. Numa sociedade adormecida e acomodada como aquela em que vivemos, é preciso estar atento às ideologias, dogmas ou ideias propagadas com promessas de um futuro melhor, procurando confrontá-las com os critérios do Evangelho e os ensinamentos de Jesus Cristo. Nem tudo o que parece é ou como diz o ditado popular “ nem tudo o que luz é ouro”. Por isso e porque a criatura não é superior ao Criador, importa não embarcar em correntes de pensamento que nos afastam das nossas mais profundas convicções cristãs, a que uma prática esclarecida dá sentido. É possível utilizar o poder do pensamento positivo, para uma maior justiça social e uma maior felicidade pessoal, reconhecendo que o pensamento é criador e o seu resultado foi bem assinalado por Jesus Cristo quando afirmou que é do coração do homem que procedem os bons ou maus pensamentos, que o tornam puro ou impuro. Mas esta capacidade individual de transformar a realidade, que é dom de Deus, é inconsequente e não constrói a civilização do amor, quando descentrada de Deus e desligada da procura do bem comum, do bem-estar geral. Temos um futuro maravilhoso à nossa frente, independentemente da idade, se juntarmos as nossas forças, poucas ou muitas, ao Deus Criador que nos ama tanto e que nos quer participantes do mistério da Criação. O segredo desvendado é desenvolver e utilizar o potencial criativo que há em cada um de nós, promovendo uma sociedade mais justa e solidária, sem esquecer o Deus verdadeiro que nos apoia e sustenta.