A Catedral diocesana, em Faro, acolheu então os fiéis que se quizeram associar à Vigília de Oração para repetir o pedido que Jesus, dirigiu aos seus discípulos: “Pedi ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe”. Na assembleia, maioritariamente constituida por pessoas da cidade de Faro e não muito numerosa, era particularmente visível a participação de muitas religiosas. Na sua reflexão, D. Manuel Neto Quintas convidou os presentes a «dar graças ao Senhor por todos aqueles que o Senhor chamou a uma vida de consagração», a louvar a Deus «pelo dom do Papa João Paulo II» e apelou à oração, como «primeira condição para entrarmos em sintonia com os apelos do Senhor». O Bispo do Algarve lembrou, de forma particular, «todos os que na diocese dão testemunho da sua consagração, servindo a própria diocese», referiu-se concretamente aos 62 sacerdotes, aos 6 diáconos, às quase 100 consagradas, aos institutos religiosos e seculares, aos seminaristas e pré-seminaristas. Recordando o falecido Papa João Paulo II, afirmou: «evocamos o seu testemunho de fé, o seu apelo à santidade, à oração e intimidade com Cristo como condição para escutarmos melhor o apelo de Deus, conscientes que, com a presença de Cristo, é mais fácil entendermos o sentido da nossa vida, da nossa existência e da vocação a que o Senhor nos chama, no contexto das diferentes vocações que convergem para a vocação à Santidade». «Deus continua a chamar com a mesma intensidade com que chamou os apóstolos», garantiu o Prelado, identificando de seguida, uma possível origem para a falta de vocações consagradas: «talvez não estejamos em sintonia com o chamamento de Deus». «Talvez não seguimos a primeira condição para entrarmos em sintonia com os apelos do Senhor: a oração e a intimidade com Ele», complementou D. Manuel Quintas baseando-se na mensagem do Papa para o 42º Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Lembrando que «talvez por isso nos falte a coragem e a força interior de que o Papa foi testemunho», garantiu que «só é possível acolher o apelo de Deus, a partir da oração». «O segredo está na oração», disse. O Bispo diocesano pediu ainda uma atenção especial para os presidentes das comunidades paroquiais. «É importante que todos tenhamos mais apreço pelo serviço que prestam os nossos pastores, os párocos que são colocados à frente da comunidade». «É importante crescer no seu apreço, rezar por eles e estimá-los, pois é por aí que começa também o apreço pela própria vocação», afirmou. De igual forma, e «em sinal de gratidão», pediu D. Manuel Quintas a oração «pelo dom de Deus» que os restantes sacerdotes «distribuem nas comunidades a que pertencem» e «pelas irmãs que, de maneira silenciosa servem também a diocese, sobretudo com o seu testemunho e oração». Momento alto em toda a celebração constituiu a oração diante de Jesus presente na Eucaristia. E foi precisamente perante o Santíssimo Sacramento exposto que ocorreram dois testemunhos de diferentes chamamentos para a vida de consagração. A irmã Bogumila, natural da Albânia, partilhou com os presentes a sua vida, marcada pela repressão comunista, antes do seu país conhecer a liberdade e de poder entrar para a congregação das Missionárias da Caridade, fundada pela sua madrinha de baptismo, Madre Teresa de Calcutá. O padre Joaquim Nunes, natural de Monchique, testemunhou o seu chamamento para o sacerdócio, particularmente a importância do exemplo do seu pároco, os apelos e desafios do Bispo do Algarve de então, as necessidades da sua paróquia de origem e a experiência pessoal de oração, «sinais que Deus semeou» na sua vida.