Deus, na Sua divina providência, escolheu este casal como ele preciso do projecto de salvação da humanidade. E muito embora os Evangelhos nada refiram sobre a infância da Virgem Maria nem de seus pais, contudo, os chamados evangelhos apócrifos, escritos durante o século II, com grande liberdade poética para, digamos assim, satisfazer uma certa curiosidade dos fiéis, narram, entre muitas outras coisas, o milagroso nascimento de Maria de pais idosos e estéreis… Assim, pois, um desses textos apócrifos refere que por não ter descendentes foi recusada, no Templo de Jerusalém, a oferta que Joaquim, como bom judeu crente ia fazer ao Senhor. Diz o mesmo texto que Joaquim se retirou muito triste e sozinho subiu a um monte para rezar e jejuar. Ao fim de quarenta dias teve uma visão de um anjo que lhe disse que Deus acolhera a sua prece e por isso sua esposa, Ana conceberia a mulher mais bela e pura do mundo – Maria. É de notar que a festa de Santa Ana remonta ao século XIII, difundida pelos Cruzados, enquanto que a de São Joaquim foi introduzida apenas na segunda década do século XVI. Estas duas festas reunidas numa só no século passado, mais precisamente no ano de 1969. Este santo casal pode ser considerado, sem dúvida alguma, como protótipo dos esposos cristãos quer pela confiança em Deus, quer pela aceitação dos sofrimentos e provações a que estiveram expostos. E vem a propósito recordar aqui o que o saudoso Papa João Paulo II disse a respeito deste dois santos: "são uma fonte constante de inspiração na vida quotidiana, na vida familiar e social". Enfim, são, de facto, uma referência tanto para pais e filhos como para avós e netos, no que concerne à fé e à generosidade com Deus…