Oportunamente, em meados de Junho, o Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes apresentou um decálogo de conduta para os automobilistas, que impressivamente designou os “Dez Mandamentos” da Estrada: 1º – Não matarás; 2º – A estrada seja para ti um instrumento de comunhão, não de danos mortais; 3º – Cortesia, correcção e prudência, ajudar-te-ão; 4º – Sê caridoso e ajuda o próximo em necessidade, especialmente se for vítima de um acidente; 5º – O automóvel não seja para ti expressão de poder, de domínio e ocasião de pecado; 6º – Convence os jovens e os menos jovens a não conduzirem quando não estão em condições de o fazer; 7º – Apoia as famílias das vítimas dos acidentes; 8º – Procura conciliar a vítima e o automobilista agressor, para que possam viver a experiência libertadora do perdão; 9º – Na estrada, tutela a parte mais fraca; 10º – Sente-te responsável pelos outros; Para primeiro mandamento da estrada, foi adoptado o quinto mandamento da Lei de Deus: Não matarás! Este mandamento, logo colocado em primeiro lugar, sintetiza claramente o maior objectivo desta iniciativa da Igreja: Defender e proteger a vida humana, face aos milhões de feridos e vítimas mortais que anualmente são sacrificadas nas estradas de todo o mundo, por causa da condução perigosa, agressiva, negligente e das transgressões às normas de trânsito. É assim que o sexto mandamento recomenda que não devemos conduzir quando não estamos em condições de o fazer! Para parar com esta tragédia o Cardeal Renato Rafaele Martino, recomenda aos condutores “controlo sobre si próprios, cortesia, prudência, espírito de serviço e conhecimento das normas do Código da Estrada” e que evitem “gestos indelicados, insultos e blasfémias”, assim como “ultrapassagens perigosas”. Para aquele Cardeal, Presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e dos Itinerantes e também do Pontifício Conselho Justiça e Paz, a circulação rodoviária é ocasião propícia para o exercício das virtudes cristãs como a caridade, a prudência e a paciência. O Cardeal Martino recomenda ainda que todos devemos contribuir activamente “para criar uma consciência geral e pública no que diz respeito à segurança rodoviária e promover, com todos os meios, uma educação adequada dos condutores, dos passageiros e dos peões”. Significativo é também o quinto mandamento: “o automóvel não seja para ti expressão de poder, de domínio”, sabido como é que, para muita gente, o automóvel funciona como um meio de ostentação e vaidade, de afirmação pessoal, de prolongamento do ego e até de intimidação dos outros. É que há pessoas excêntricas e extravagantes, que egoisticamente vivem para si próprias, indiferentes aos outros e se servem da estrada e das viaturas, não para circular e viver, mas para exibirem as suas excentricidades e darem nas vistas. Ora, justamente recomenda o segundo mandamento, que a estrada deve ser para nós um meio de comunhão e não de ostentação!