Segunda-feira 22 de Julho de 2019
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Paço Episcopal abriu portas com exposição de arte sacra “A Invenção do Mundo”

A mostra, integrada no projecto “Faro – Capital Nacional da Cultura 2005” (FCNC), motivou a abertura das portas da residência dos Bispos do Algarve ao público, depois de algumas obras de adaptação, designadamente a nível de iluminação, vigilância e acessibilidades. Com efeito, desde 1994 que a diocese de Beja tem vindo a desenvolver um trabalho de inventariação, estudo, salvaguarda e divulgação dos seus bens culturais, tendo já mais de 200 mil obras de arte inventariadas até ao momento. Entre as obras expostas encontram-se exemplares de pintura, escultura (incluindo imaginária), artes decorativas (incluindo ourivesaria, joalharia, mobiliário, paramentaria, entre outras). A inauguração, no passado dia 27 de Dezembro, contou com a presença de inúmeros convidados, tendo estado presentes para além do Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, do Bispo Emérito de Beja, D. Manuel Falcão, em representação do Bispo de Beja, D. Vitalino Dantas, e do comissário da exposição José António Falcão, o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, o presidente da Estrutura de Missão de FCNC, António Rosa Mendes, o Governador Civil de Faro, António Pina, o presidente da Câmara Municipal de Faro, José Apolinário, a vice-reitora da Universidade do Algarve, Isabel Cruz e o professor historiador José Hermano Saraiva. D. Manuel Quintas, nas palavras que dirigiu aos presentes no decorrer da cerimónia, justificou o acolhimento da exposição da diocese vizinha. “Manifestámos, desde a primeira hora, a nossa total adesão a esta iniciativa, no sentido de dar a conhecer uma parcela importante do património cultural religioso do Sul de Portugal”, afirmou o Bispo diocesano, acrecentando: “da nossa parte esperamos poder aproveitar estes espaços para ulteriores exposições”. E precisamente com os olhos postos no futuro, D. Manuel Quintas deixou alguns recados aos responsáveis públicos. “E se é verdade, como referem os entendidos, que o património religioso constitui 80 por cento do património cultural do nosso país, gostaríamos de nos sentir acompanhados por aqueles que têm, como nós, a missão de promover, valorizar e dar a conhecer o testemunho das nossas gentes algarvias no modo eloquente e sábio como souberam conjugar a fé, a arte e a cultura num mosaico de manifestações plásticas, às quais ninguém fica indiferente”, fez questão de afirmar. José António Falcão lembrou que “dentro desta orientação, no sentido de divulgar as riquezas e os tesouros do património religioso do Baixo Alentejo, a diocese [de Beja] iniciou, há alguns anos, uma política de exposições temporárias de qualidade que se pudessem aproximar no seu patamar científico, técnico e até museugráfico, do melhor que se fazia em Portugal”. “Esta é uma grande homenagem ao Algarve”, fez questão sublinhar o comissário, garantindo que foram escolhidas “peças de artistas algarvios, sendo que as ligações entre as escolas de Tavira/Faro e de Évora/Beja foram muito intensas a partir do século XVI”, o que acaba por confluir no que designou de “identidade do grande Sul”. A terminar, José António Falcão, indo ao encontro da pretensão do Bispo do Algarve, lembrou que “a diocese fica aqui com uma infraestrutura extraordinária que poderá ser aproveitada no futuro com exposições de arte sacra ou outras que venham a valorizar este espaço”. António Rosa Mendes lembrou as restantes exposições que se realizaram no âmbito da FCNC e deixou claro que esta “não é mais uma exposição”. “É uma exposição que nos gratifica especialmente pelo seu valor intrínseco, beleza, diversidade e raridade das suas peças e também por termos a firme convicção de que não é possível entender a arte e quem somos, a nossa identidade, sem o influxo do Cristianismo”, complementou, acrescentando que “seria uma distorção, um despropósito e uma falsificação da história não reconhecer o papel profundamente criador que o Cristianismo teve na cultura portuguesa ao longo dos mais de 8 séculos da nossa existência”. “Esse alimento espiritual que nos fez ser quem somos e que ainda hoje revela tamanhas potencialidades criativas”, complementou, considerando “um empobrecimento enorme que fosse apagado esse legado que não pertence ao passado, mas é uma poderosa força espiritual que nos impulsiona para o futuro”. O secretário de Estado da Cultura referiu-se a esta iniciativa levada a cabo pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da diocese de Beja em articulação com o Secretariado do Património Cultural da diocese do Algarve, como “obra que fica”. “É a manifestação de uma identidade cultural local e a passagem de testemunho de uma herança cultural para o presente e para o futuro”, reconheceu Mário Vieira de Carvalho, concordando que “a cultura portuguesa assenta em larga medida nesses testemunhos valiosissímos que nos foram legados pela tradição do Cristianismo”. O governante prometeu ainda que “o Ministério da Cultura procurará aprofundar o mais possível a colaboração com as dioceses para que o património cultural português possa continuar a ser preservado”. No final da cerimónia, que prosseguiu com uma visita guiada pelo comissário, D. Manuel Neto Quintas, em declarações aos jornalistas referiu à abertura do Paço Episcopal ao público. “Foi importante a abertura destes espaços que nos podem levar, não só a conhecer melhor o nosso património, mas também dá-lo a conhecer a outros”, afirmou o Prelado, que acabou por reconhecer o impulso que esta iniciativa traz para a diocese algarvia. “O que eu pretendo é que todos nos sensibilizemos mais para a riqueza que constitui o nosso património, para a sua inventariação e classificação para podermos, também nós, levar para a frente iniciativas deste género, dando a conhecer o património rico que está presente nas nossas comunidades paroquiais”, referiu. A exposição foi financiada pelo Ministério da Cultura, através da Estrutura de Missão da FCNC, em 50 mil euros. Horário de visitas: 10.00h-13.00h 14.30h-17.30h Encerra à segunda-feira e ao domingo Preço: 1,5€ Entrada gratuita para grupos de estudantes e paróquias Director Geral da UNESCO visitou a exposição de arte sacra e cumprimentou o Bispo do Algarve O Director Geral da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura visitou, no passado dia 28 de Dezembro, a exposição de arte sacra “A Invenção do Mundo” patente ao público no Paço Episcopal de Faro e apresentou cumprimentos ao Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas. Koïchiro Matsuura, acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal de Faro, José Apolinário, e pelos vereadores Augusto Miranda e João Marques foram recebidos pelo comissário da exposição José António Falcão que orientou a visita. No final, Koïchiro Matsuura encontrou-se com D. Manuel Neto Quintas para lhe apresentar os seus cumprimentos, tendo felicitado o Bispo diocesano e o comissário José António Falcão pela realização e qualidade da exposição. Para além da mostra patente no Paço Episcopal, o Director Geral da UNESCO teve ainda oportunidade de visitar igualmente a Sé Catedral de Faro e o Museu Municipal de Faro. Koïchiro Matsuura é Director Geral da UNESCO desde Novembro de 1999, tendo sido nomeado para exercer o cargo durante seis anos.

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