Começando por destacar o presente tempo litúrgico da Páscoa como «o grande acontecimento interveniente de Deus, que depois de ter feito passar Jesus de Nazaré pela morte, para que conhecesse toda a condição da natureza humana, triunfou para nunca mais morrer», convidou a numerosa multidão presente a «fazer Páscoa». «Vinde celebrar a vida nova que Deus nos dá e que ninguém mais poderá destruir», afirmou o sacerdote. Renovando as palavras dirigidas por Jesus ao discípulo João aos pés da cruz, o padre Carlos de Aquino afirmou: «Hoje, aqui Cristo nos diz de novo, como em tantos calvários da vida em que somos crucificados, em tantos sepulcros que nos silenciam: Eis, a tua Mãe!». «É aqui, junto à imagem de Maria, dsicípula fiel, Mãe do seu Filho Jesus, mãe de todo os crentes, que queremos aprender a acolhê-l’O e a escutar a sua voz», disse. Confiando a Nossa Senhora toda a humanidade, o padre Carlos de Aquino lembrou de modo especial «os homens que desistiram, os que são explorados, vítimas de mentiras, de ódios, de exploração de qualquer espécie, escravos do dinheiro, do sexo e outros vícios» e lembrou que, por ser Páscoa, é «ocasião para criarmos a nova terra e os novos céus» e oportunidade de lavarmos o rosto e purificarmos o coração dos ódios ou guerilhas que nos dividem». O sacerdote pediu ainda à Virgem “Mãe Soberana” que nos ensine a «alargar o nosso coração às dimensões do coração de Deus» e a «compreender que no coração da Igreja todos têm lugar». Por entre o acenar de lenços brancos e as constantes «viva a Mãe Soberana», o cortejo processional acompanhado pela Banda Filarmónica louletana “Artistas de Minerva” e pela Banda Filarmónica Portimonense, seguiu pelas ruas de Loulé até Largo de São Francisco. Iniciou-se então a triunfal caminhada até ao Santuário o­nde a Virgem seria saudada pelo sacerdote. Dias de oração, formação e de celebração Mais uma vez os cristãos de Loulé expressaram a sua devoção à Mãe do Filho de Deus, Nossa Senhora da Piedade. O enraizamento na cultura, nos sentimentos e nos afectos dos louletanos, faz da Festa da Mãe Soberana uma autêntica manifestação de fé e de alegria, mas também de comunhão e de fraternidade. Todos nos sentimos, nestes dias, filhos da Mãe Soberana, dando continuidade a uma memória viva. Embora a sua imagem seja leva pela força viva dos Homens do Andor, bem sabemos que é Ela que nos leva para junto de seu Filho. Durante a novena, as diversas zonas, em cada noite, orientaram a recitação do terço e expressaram a sua fé em Cristo ressuscitado. O slogan que orientou a reflexão dos diferentes dias foi “A exemplo de Maria, acolhe com alegria”. Os cristãos de Loulé tiveram a oportunidade de, em cada dia da Novena, evocar a protecção da Mãe Soberana para situações de carência, de fragilidade e de marginalização do mundo de hoje. Maria é o exemplo e o caminho de uma Igreja acolhedora das diferenças, dos excluídos da sociedade, na alegria e no respeito pela sua própria dignidade. Durante o Triduo (os três dias finais), a presidência e a pregação estiveram a cargo do P. Dr. Carlos Aquino, formado em Liturgia pelo Pontifico Anselmiano de Roma e um dos sacerdotes que, na Diocese do Algarve, melhor sabe anunciar e comunicar a Palavra de Deus a grandes multidões. Com a sua capacidade comunicativa e humana, o P. Carlos Aquino soube anunciar em cada noite, aos colaboradores, aos casais e aos jovens, uma palavra concreta, relacionado Maria com a Eucaristia. E na Eucaristia solene da Festa Grande, celebrada junto ao Monumento a Duarte Pacheco, a intensidade e a emoção do seu anúncio foi, de tal modo, tão intensa, que a assembleia respondeu com longa salva de palmas. Foram concelebrantes os padres Henrique Varela, António Martins, Elísio Dias, Abílio Almeida, Armando Amâncio, Fernando Pedro e Manuel Coelho, presença sempre fiel nas Festas da Mãe Soberana. A procissão percorreu as principais ruas de Loulé, no meio de um grande multidão a assistir, e a participar com o coração. Diante da Câmara Municipal de Loulé, os Homens do Andor, as Autoridades Autárquicas que assistiam nas varandas das janelas da Câmara, desceram para cumprimentar os Homens do Andor e os Sacerdotes presentes. Grande e emotivo momento é sempre a subida ao Monte do Andor de Nossa Senhora da Piedade, por entre aclamações, vivas, lenços a acenar, gritos de emoção e de fé… Depois da chegada o Rev. P. Carlos Aquino, em plena comunhão com os sentimentos dos louletanos, saudou Nossa Senhora, terminando a sua exortação com o grito jubiloso e pascal: “Viva a nossa fé”. M.A.