Perto de um milhar de pessoas encheram por completo as ruas de Pêra, no passado dia 9 de Abril, o­nde decorreu a encenação das estações da Paixão de Cristo. A iniciativa promovida pela Comissão de Festas da paróquia local e pelo Centro Paroquial de Pêra procurou, pelo segundo ano consecutivo, narrar os últimos momentos da vida terrena de Jesus Cristo. Com início na igreja de São Francisco, com a dramatização da Última Ceia com os apóstolos, o memorial da Paixão de Cristo continuou com a prisão do Filho de Deus no Monte da Oliveiras, depois da traição de Judas, a apresentação no Sinédrio perante a negação de Pedro, a condenação popular, ante a falta de coragem de Pilatos, a imposição do manto de púrpura e da coroa de espinhos, as quedas de Jesus por terra com a cruz provocadas pelo cansaço associado à humilhação e flagelação impostas, o emotivo encontro com a Mãe, a boa vontade de Simão de Cirene que O ajuda a carregar a cruz ou de Verónica que Lhe limpa o rosto, a crucifixão juntamente com os dois salteadores, até à ressurreição do sepulcro ao terceiro dia. Em pleno terreno o­nde será construído o futuro Centro Paroquial de Pêra, a Via Sacra terminou com a aparição de Jesus ressuscitado por entre uma nuvem de fumo, suspenso por uma grua nos céus, a alguns metros de altura. De resto também a crucifixão e a própria prisão de Jesus ficaram marcados por efeitos de luzes, de som e de fumos que procuraram tornar mais realista a Paixão de Cristo. Para levar a cabo esta iniciativa, os paroquianos de Pêra precisaram ainda de utilizar dois geradores, duas aparelhagens de som, sistemas profissionais de produção de fumos, luzes, uma retro-escavadora, três camiões, um palco, dois cavalos e duzentas tochas. Ao longo da narração dos últimos momentos de Jesus sobre a terra foram feitas algumas reflexões para ajudar o muito público presente a alcançar a profundidade dos acontecimentos e melhor interiorizar o que estava a ser relatado e encenado. Intercaladas com as cenas dramatizadas houve ainda a actuação de alguns artistas que cantaram os momentos mais significativos da Paixão de Cristo. O evento contou ainda com a participação de 150 paroquianos voluntários e amadores na arte da representação. Carlos Cristóvão, um dos organizadores, esclarece que o objectivo da organização foi “tentar marcar o tempo da Quaresma com uma iniciativa diferente que mexa com as pessoas para que percebam o que realmente aconteceu”. Embora ainda não haja ideia de quanto terá custado a edição deste ano, sabe-se que deverá ter menos custos do que a de 2005 que teve um custo de 4 mil euros. “A edição do ano passado teve mais custos porque foi necessário adquirir quase todo o material”, garantiu Carlos Cristóvão. O maior valor é suportado pela Câmara Municipal de Silves e pela Junta de Freguesia e o restante é pago pelos vários patrocinadores que se associam.