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Palestra no Hospital de Faro ajudou a perceber papel da assistência espiritual

Na sessão, que contou com a presença da presidente do Conselho de Administração do HDF, Ana Paula Gonçalves, foram oradores João Pedro Luz, psicólogo da Unidade de Psiquiatria do Hospital de Faro, que se referiu na sua intervenção à necessidade do acompanhamento espiritual do doente. O orador baseou a sua intervenção em estudos científicos já realizados, que demonstram que os doentes hospitalizados com acompanhamento espiritual tem melhores resultados nos efeitos da medicamentação. O segundo orador foi a enfermeira-chefe do serviço de Medicina I do HDF, Françoise Lopes, que deu a conhecer o trabalho meritório realizado pelos serviços de enfermagem nos hospitais, a preparação que os profissionais de enfermagem têm no acompanhamento dos doentes e a necessidade que os mesmos têm de apoio espiritual. Referiu ainda que todos os enfermeiros e enfermeiras, estão devidamente informados para ajudar os doentes a corresponder às suas necessidades espirituais-religiosas, chamando o Capelão ou o representante das suas convicções religiosas. Por último, o padre Fernando Sampaio, capelão do Hospital de Santa Maria em Lisboa, referiu que “a doença e o sofrimento, particularmente as novas doenças e as situações terminais, confrontam-nos com a fragilidade e a vulnerabilidade”. “Provocam um turbilhão de temores e emoções, de sentimentos e reacções defensivas” como “a negação, a raiva/revolta/rejeição de Deus, a negociação com Deus (promessas), a tristeza depressão, o fatalismo/ resignação ou a aceitação”, identificou. “Este complexo sofrimento leva, por isso à emergência de um conjunto de interrogações ao nível existencial, espiritual e religiosos, centrando-se as mais importantes à volta do sentido da vida, do sentido da fé, da acção e da imagem de Deus”, explicou. O padre Fernando Sampaio salientou que “há quem desvalorize as necessidades espirituais e religiosas, quem as ache desnecessárias e quem fale de espiritualidade e prescinda da religião”. “É nossa experiência que a espiritualidade e a religião são importantes e constituem um recurso nos momentos difíceis da vida. A espiritualidade e a religião sempre caminharam juntas. Só actualmente as separamos e alguns põem-nas em confronto. O conceito de espiritualidade apresenta-se, desta forma como um conceito plural, admitindo-se mesmo uma espiritualidade laica”, referiu. O orador defendeu que “a espiritualidade possibilita a unificação da vida e dá-lhe sentido”. “Os sentimentos, os temores e as interrogações que a doença e o sofrimento provocam levam-nos a concluir que, para além das necessidades básicas, sociais, culturais, entre outras, existem também as necessidades espirituais e religiosas que é necessário satisfazer. Não é por acaso que estudos científicos recentes enfatizam a função terapêutica da espiritualidade e da religião. Não é também por acaso que o Plano Nacional de Saúde reconhece à espiritualidade importância no contexto dos cuidados de saúde e associa-a à humanização e à qualidade”, constatou, considerando que “cuidados de saúde que não dão atenção à dimensão espiritual, são parciais e desumanizados porque não atendem ao todo da pessoa”. Fernando Sampaio explicou ainda que “olhar o acompanhamento religioso a partir da relação de ajuda possibilita pôr em realce a solicitude pastoral da comunidade como factor humanizador e, ao contrário da pastoral apressada e do sacramentalismo desumanizador, dá-lhe uma envolvência afectiva”. “Possibilita ainda combater a imagem negativa e agoirenta da presença do padre junto dos doentes. O acompanhamento religioso tem a vantagem de permitir a escuta do doente, das suas interrogações sobre a fé, das incompreensões sobre a acção e a imagem de Deus. Torna possível orar a vida e o sofrimento integrando as emoções, os sentimentos, as revoltas, as interrogações…”, complementou. Para além da Igreja católica, entre os quase 75 participantes (profissionais de saúde e outros do HDF e pessoas anónimas), das cerca de 30 Igrejas e associações religiosas convidadas estiveram presentes também a Igreja Evangélica Acção Bíblica, a Igreja Evangélica Missionária de Olhão, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Faro e a Igreja Evangélica da Acção Bíblica de Olhão. A sessão terminou com um lanche fornecido pela administração do HDF.

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