Como exemplo da ineficácia do Tribunal de Menores, o sacerdote relata um caso que viveu há 13 anos atrás quando tratou de uma situação protagonizada por uma senhora com duas filhas que viviam numa barraca em Portimão. «Tratei de alojá-las gratuitamente na Mexilhoeira Grande e as crianças passaram a frequentar o infantário. Um dia, a mãe, já grávida de um terceiro filho, apareceu no infantário para levar de lá as duas crianças, tendo constado que andava a vender droga em Portimão» – recorda. Na altura, garante o padre Domingos da Costa, ter comunicado o caso ao advogado do Tribunal de Menores, estando também o Refúgio Aboim Ascenção disponível para receber as crianças, desde que a mãe estivesse de acordo em entregá-las ou caso o Tribunal de Menores retirasse a sua guarda à família. «No entanto, o Tribunal de Menores acabou por entender que não era possível retirar à mãe a guarda dos filhos, pois ela não se disponha a entregá-los a qualquer instituição» – assegura, justificando a sua convicção em relação ao caso de Joana. «Se tivesse sido apresentada queixa na Comissão de Protecção de Menores e caso se verificasse que era necessário retirar a criança da família duvido muito que fosse possível» – afirmou, acrescentando que «a Comissão de Menores, em relação a este caso, já se queixou desta situação». «Quando a dra. Dulce Rocha disse que o Ministério Público devia intervir mais nestes casos, suponho eu que se estaria a referir-se ao Tribunal de Menores» – disse. O padre Domingos da Costa assegura igualmente que «não tinha conhecimento que vivia ali uma família com dificuldades», até porque «as pessoas não conviviam, nem frequentavam a comunidade paroquial e estavam ali apenas desde Janeiro». «A própria Joana não frequentava a catequese» – garante o pároco que diz conhecer a criança «apenas de vista», pelo facto de ter ido 2 ou 3 vezes à escola primária convidar as crianças para festas religiosas do jardim de infância. Tendo tido conhecimento que «a escola apresentou queixa da sub-alimentação da criança», o sacerdote garante que, caso tivesse sabido do caso, «a paróquia tinha meios garantir uma alimentação equilibrada à criança». «A Joana poderia ter sido transferida para a escola primária da Mexilhoeira Grande e teria sido acompanhada em ATL» – afirma. O pároco defende ainda que «os paroquianos lamentam a situação mas não estão revoltados com o tio e a mãe de Joana». «A paróquia tem acompanhado o caso com serenidade» e «está afectada por se tratar de um caso de uma criança abandonada» – afirma o padre Domingos da Costa convicto de que «o que chocou mais a comunidade da Figueira foi o facto de ter sido um caso originado por pessoas vindas de fora da terra e a cobertura dada pela comunicação social, que originou a que se começasse a organizar para ali a romaria [de curiosos]». «Porque é que se deu tanta cobertura, durante quase um mês, a este caso?» – questiona o pároco, acrescentando outras interrogações: «para se encontrar o cadáver de uma criança andam, há quase um mês, todos os meios no terreno (polícia, cães vindos de Lisboa, televisões, jornalistas…) e eu pergunto: quanto dinheiro se gastou com tudo isto? Gasta-se o mesmo para tratar dos vivos?». «Isto é que é chocante e são estas as interrogações que a população da Figueira faz» – considera o padre Domingos da Costa.