Por volta das 15.30 horas, a imagem da Virgem Maria chegava finalmente àquela localidade, depois de a caravana automóvel que a acompanhou, sob o controlo da Brigada de Trânsito da GNR, ter congestionado durante mais de uma hora o tráfego no IC1 entre Messines e São Marcos, o que levou à formação de uma fila de veículos com alguns quilómetros. Debaixo de um calor tórrido, a imagem de Nossa Senhora de Fátima foi transportada em ombros, subindo desde a entrada da vila até à pequena igreja paroquial que foi exígua para acolher tanta gente que quis assistir à recepção e a Eucaristia que se seguiu. No interior da igreja, que comportou até fiéis a trás do altar, o pároco de São Marcos da Serra e de São Bartolomeu de Messines começou por partilhar em voz alta uma autêntica oração a Nossa Senhora. “Tu sabes, Mãe, que muitas vezes desanimo, sinto-me fraco, incompreendido, às vezes sofro muito e quero desistir, mas tu não me deixas desistir e, pelo contrário, fortaleces-me e ajudas-me. É o que tem acontecido nestes dias”, rezou o padre Augusto de Brito, confessando-se “muito cansado”, “mas feliz por tudo o que aconteceu em Messines”, manifestando o desejo e a certeza de que o mesmo iria acontecer em São Marcos, pedindo a Maria que tocasse o coração dos seus filhos. “A primeira grande alegria que Nossa Senhora nos dá é sentir a nossa terra cheia de gente e a nossa igreja pequenina. E se na sua chegada isto acontece, como será na sua partida? Vinde e vede. Eu conto convosco”, frisou, agradado pela presença de largas centenas de pessoas. Recordando que “Nossa Senhora esteve com os apóstolos na formação da Igreja e tem estado sempre com os cristãos ao longo da sua história”, o padre Augusto de Brito invocou a história de Portugal para sublinhar a sua íntima ligação a Maria. “Ainda antes de Portugal ver a sua independência reconhecida já o nosso Afonso Henriques entregava o Condado Portucalense a Nossa Senhora e chamava-lhe as terras de Santa Maria”, lembrou, acrescentando que, “depois da independência, D. Afonso Henriques colocou na fronteira do País, o grande mosteiro protector de Portugal: Santa Maria de Alcobaça”. “Lá está, com quase 900 anos, a mostrar como Nossa Senhora já estava no coração dos primeiros portugueses”, observou. E prosseguiu o prior: “quando houve a grande crise e se discutiu se continuaríamos mesmo independentes ou se passaríamos a ser uma região espanhola e se deu a grande guerra da independência, o nosso herói Nuno Alvares Pereira, depois de ganhar a batalha de Aljubarrota, com uma oração a Nossa Senhora, fez com que o rei mandasse construir o grande Mosteiro da Batalha, Santa Maria da Vitória”. “Mais tarde, com a grande epopeia das descobertas, – lembrou o padre Augusto de Brito – o grande rei, o Venturoso, D. Manuel I, manda construir os Jerónimos, a maior jóia da arquitectura portuguesa, dedicada a Santa Maria de Belém”. Fazendo memória da coroação de Nossa Senhora como Rainha de Portugal, o pároco de São Marcos invocou a restauração da independência. “O rei que assumiu tentar restaurar, a muito custo, a independência portuguesa, foi confiar-se a Nossa Senhora e, perto da sua casa, em Vila Viçosa, entregou-lhe a coroa de Portugal. As imagens de Nossa Senhora usam a coroa que é a coroa de Portugal, o símbolo de Nossa Senhora, por isso a gente aclama-a Rainha de Portugal”, justificou. “Mais tarde, quando se descobriu o ouro no Brasil e se construíram dois grandes monumentos em Portugal, lá estão a atestar novamente a gratidão e a fé na Virgem Maria o Convento de Mafra e a Basílica da Estrela”, acrescentou. “E quando o mundo se dilacerava em guerras, quando na Rússia reinava a revolução, quando mandámos milhares de homens para a guerra na Flandres, são três inocentes crianças que são escolhidas para a trazer ao mundo a mensagem de Nossa Senhora”, concluiu. O padre Augusto de Brito lembrou ainda que as diferentes invocações de Nossa Senhora se referem sempre à Mãe de Jesus. “As estátuas podem ter figuras diferentes, mas aquela que representam é sempre a Mãe de Deus que esteve com os apóstolos na fundação da Igreja e que continua hoje aqui, com esta comunidade de São Marcos da Serra, a unir-nos e a fazer com que sintamos esta alegria da sua presença entre nós”, explicou, manifestando o objectivo da visita da imagem mariana. “ Nossa Senhora vai estar connosco, no nosso coração, a avivar-nos a fé para nos convertermos ao seu Filho Jesus”, salientou. No último sábado à noite, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima foi entregue à paróquia de Monchique, permanecendo ali e nas comunidades de Alferce e Marmelete até ao final deste mês. Mais fotos na Galeria de Imagens