Recorde-se que para presidir às exéquias, em representação do prior (que à mesma hora presidia à celebração da Eucaristia em São Marcos da Serra), compareceu, como por vezes acontece, um ministro extraordinário da comunhão que se recusou continuar com a celebração quando constatou estar sobre o féretro a bandeira do PCP. “Não subscrevo nem as palavras nem a tomada de posição assumida”, esclarece, o padre Carlos de Aquino que pediu perdão “como cristão e primeiro servidor da comunidade cristã”. O pároco considera “lamentável” a atitude de quem em seu nome foi chamado a presidir às exéquias e sem a sua autorização se negou a presidir ao acto e igualmente “lamentável” a atitude dos presentes, que, considera, “aproveitaram a ocasião para ressuscitar fantasmas de guerra entre a Igreja e os Comunistas, aproveitando a Comunicação social para enaltecerem um escândalo, abusando e extrapolando alguma verdade”. Segundo o pároco, o mais indicado teria sido chamar os familiares à parte para lhes pedir que colocassem a bandeira sobre a urna apenas no final da celebração. O prior aproveita ainda para explicar que presidiu no mesmo dia, ainda de manhã, à celebração da Eucaristia, “fazendo memória na fé” de Diamantina Vicente, católica assumida, que apesar de residir em Almada quis ser sepultada na sua terra natal. O sacerdote clarifica ainda que falou “com todas as partes”. “Esclareci a minha posição e o pensar e sentir da Igreja”, justifica, desejando que o acto não se repita. Respondendo a algumas criticas que se levantaram, o prior afirma ainda ter “honra em ser filho da geração de Abril e em fazer parte de uma sociedade tolerante e democrática”. “Este acto inadmissível, intolerante, pode e deve merecer desgosto e protesto mas que não signifique preconceito à Igreja e aos seus valores, que jamais devem ser postos em causa”, acrescenta. Precisamente “em nome da democracia e respeito pelas liberdades e pela Instituição”, o sacerdote conclui lembrando o que dizem os seus rituais: “o rito das exéquias exprime mais claramente o sentido pascal da vida cristã”(SC 81); “Procurem os cristãos afirmar sem reservas a esperança na vida eterna”(RE 2); “Corrija-se ou suprima-se o que parecer menos conforme à liturgia”(SC 128). “Na celebração das exéquias observe-se tudo com nobre simplicidade…o féretro seja colocado no chão e junto dele, somente o círio pascal. Sobre o féretro o livro dos evangelhos ou as sagradas escrituras ou uma cruz”(CB 823).