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Paróquia da Mexilhoeira Grande constrói novo infantário por causa da Segurança Social

Conforme fez questão de esclarecer o pároco, padre Domingos da Costa, na homilia da Eucaristia que antecedeu a celebração da bênção, “a casa o­nde o actual Jardim Infantil do Centro Paroquial nasceu, há 25 anos, envelheceu e não oferece, hoje, as melhores condições para a educação das suas crianças” e, “quando pensávamos no seu restauro e na melhor solução para o bem das crianças, houve, infelizmente, representantes de Instituições Públicas, que têm por missão velar pelo bem-estar daqueles a quem deviam proteger, que pretenderam fechá-lo e tentaram impedir a transferência das suas crianças para o Centro Juvenil de Alcalar”, o­nde actualmente se encontram. “Essas pessoas pretenderam empurrar-nos para a sacristia, ignorando que o amor concreto por Deus passa pelo amor concreto aos outros, e que o amor de Deus connosco passa pelo amor concreto com que somos amados por outros”, acrescentou lançando, de seguida a pergunta: “o que seria destas crianças e das centenas de outras que já passaram pelo Infantário do Centro Paroquial, se nos tivéssemos confinado ao espaço da sacristia ou do templo, a que tantos têm tentado obrigar-nos, – não sei em nome de que ideologia, – como se fossem donos do povo?”. E continuou o sacerdote: “Daí que nós, os cristãos, quando o procuramos ser a sério – a exemplo de Jesus Cristo –, amemos melhor os outros, por Deus, do que o Estado nos serve, sem Deus. Daí que nós amemos melhor os pobres, dando e perdendo a vida por eles – a exemplo de Cristo – do que eles – os servidores do Estado – os servem, ganhando a vida, com eles”. “E as pessoas compreendem-no, pois desde que mudámos para as instalações do Centro Juvenil, em Alcalar, o número de crianças aumentou de 160 para cerca de 190”, complementa o padre Domingos da Costa, que acrecrecenta haver “vários casos em lista de espera”. Mas, “o pior de tudo – acusa o sacerdote – é que 52 dessas crianças não são abrangidos pelo acordo com Centro Regional de Segurança Social do Algarve”. “Há funcionários do Estado que, infelizmente, não passam de ‘técnicos’ (palavra com que se auto-designam): gente sem coração. As leis a que se agarram, e de que, muitas vezes, se tornam escravos nunca resolvem os problemas das pessoas”, acrescenta. O pároco da Mexilhoeira garante que em Março de 2001, a construção de uma nova creche já era uma preocupação sua, por forma a libertar o infantário dos cuidados com bebés, de modo a poderem servir melhor as crianças do Pré-escolar e ATL. O sacerdote assegura ainda que o restauro do Lar de Idosos era também nessa altura uma preocupação. “Nesse sentido, apresentámos as nossas preocupações aos representantes, da altura, do Centro Regional de Segurança Social do Algarve, que nos prometeram oferecer os projectos e subsidiar as duas obras… Até hoje! O projecto do restauro do Lar de Idosos tivemos de o entregar a uma arquitecta e o seu restauro está a decorrer por nossa conta desde Novembro de 2004”, acusa o sacerdote, que complementa: “foi tudo isto que nos encheu de ‘raiva’ e nos levou a sonhar com o projecto a que hoje damos início”. O terreno, em frente à escola EB 2/3, com cerca de 14 mil m2, o­nde será construído o novo infantário, foi cedido pela Câmara Municipal de Portimão. “Em meados de Abril soubemos que a autarquia tinha ainda um terreno. Fizémos o pedido e ela respondeu ao nosso apelo”, explica o padre Domingos da Costa. O novo infantário “Aldeia dos Querubins”, como o nome deixa antever, será construido como se de uma aldeia se tratasse (à semelhança de São José de Alcalar) e incluirá vários edifícios. Haverá um bloco para os serviços administrativos, outro para os serviços centrais (cozinha, lavandaria dispensa, etc), outro para a capela, um outro para as salas de ATL, outro para a creche e jardim-de-infância, outro ainda para as oficinas e outro para a piscina coberta. O projecto inclui também uma zona para piqueniques e uma horta ecológica para que as crianças contactem com a natureza. O novo infantário, com capacidade para receber crianças a partir dos 3 meses, custará 800 mil contos e poderá acolher 300 utentes, desde a Creche ao Pré-escolar e ATL. Um dos principais obstáculos com que o pároco da Mexilhoeira Grande se tem deparado é a falta de recursos humanos. “O problema da paróquia neste momento é que as pessoas ainda não assumiram a obra social da freguesia como sua. Está tudo sobre mim. Não há ninguém, por exemplo, para resolver problemas com funcionários ou fazer reparações de canalização ou electricidade”, refere o sacerdote, considerando que este pode até ser um male generalizado de toda a Igreja algarvia. “A diocese do Algarve não está consciente desta dimensão caritativa como expressão concreta da fé”, afirmou. Quanto ao financiamento para construção da obra, o pároco da Mexilhoeira Grande está optimista. “Vamos precisar de dinheiro que, estou certo, também aparecerá como apareceu para a construção d Aldeia de São José de Alcalar”, afirmou. Em relação ao velho edificio que serviu, durante todos estes anos, de casa para o infatário da paróquia, o padre Domingos da Costa confessa ainda não saber qual o seu futuro. “Estou dependente do que a Companhia de Jesus decidir em relação à vinda ou não para a diocese de mais jesuítas. Pensaria, se viessem mais padres para cá, fazer-lhes uma residência no primeiro andar e no rés-do-chão salas de catequese”, disse. Depois da Eucaristia, decorreu a procissão, na qual foi levada a primeira pedra da construção, tendo sido benzida após a assinatura da escritura de doação do terreno celebrada entre a Câmara Municipal de Portimão e a paróquia. Seguiu-se depois um convívio na escola EB 2/3.

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