O actual templo, construído no início da década de 60, já não oferece condições às necessidades básicas de uma paróquia organizada e no Verão torna-se difícil acolher todos os fiéis visitantes em férias. “Temos falta de infraestruturas para uma acção pastoral organizada e mais concretizada. Não temos salas de catequese, nem biblioteca, nem salas de recepção, nem uma casa para acolhimento das pessoas que passam por aqui”, constata o pároco, padre Joaquim Beato, explicando que as catequeses e reuniões são feitas numa sala da igreja. “A catequese, para as cerca de 160 crianças, é feita, a horas diferentes, na igreja”, tal como as reuniões de pais, de noivos ou de casais. O sacerdote lamenta que na altura da construção da actual igreja não tenha havido uma “perspectiva de futuro”, uma vez que o terreno foi cedido gratuitamente e que a sua área era ainda maior. “Poderiam ter construído um salão, mas limitaram-se à construção da igreja, sacristia e de uma sala para casa mortuária”, lamenta o prior. O projecto da nova igreja, a construir num terreno que deverá ser cedido pela Câmara Municipal de Silves, com 10 mil metros quadrados numa zona nova da vila, entre a Senhora da Rocha e Armação de Pêra, terá capacidade de 450 lugares sentados e será constituído por um salão com a mesma dimensão, 10 salas de catequese, 3 salas para acolhimento a passantes, 3 salas destinadas à pastoral sócio-caritativa, para acolher todos os donativos que as pessoas oferecem, biblioteca, sala de informática, sacristia, cartório paroquial e ainda uma sede para o agrupamento local do CNE – Corpo Nacional de Escutas. Embora ainda não exista projecto de arquitectura, o padre Joaquim Beato explica que “há já um esboço feito por um antigo arquitecto da Câmara”. “No princípio do ano vou reunir-me com o Conselho Económico e pretendo falar com a presidente da Câmara para avançarmos”, complementa. De acordo com o sacerdote, a construção deverá custar um pouco mais de 2 milhões e 500 mil euros. “É uma obra com perspectivas de futuro”, considera. Embora reconheça que a paróquia não tem fundos para suportar a totalidade dos custos da obra, o pároco mostra-se confiante na venda de duas casas propriedade da comunidade e na contribuição de paroquianos e visitantes, para além do apoio das entidades oficiais. CNE local precisa de nova sede Reconhecendo que o agrupamento de Armação de Pêra do CNE – Corpo Nacional de Escutas está a funcionar, “com muita dificuldade”, “numa casa antiga, muito danificada, cedida à Igreja por uma senhora”, o pároco e assistente espiritual mostra-se sensível à necessidade urgente de uma nova sede. O agrupamento é constituído por cerca de 40 elementos das 4 secções. No entanto, o pároco constata a necessidade de “mais chefes, comprometidos com o trabalho da juventude”. No futuro prevê, aquando da construção da futura igreja que inclui a nova casa dos escuteiros, “fazer uma venda da actual sede e doutra casa, também bem situada, que estava alugada e foi cedida há poucos dias” por forma a contribuir para a construção da obra. Pe. Joaquim Beato, 41 anos ao serviço da diocese algarvia O padre Joaquim Beato, natural de Pedreiras, no concelho de Porto de Mós (diocese de Leiria-Fátima), nasceu em 1939. Estudou os dois primeiros anos no Seminário Menor de Fátima e completou o curso de Teologia no Seminário de Leiria. Foi ordenado a 15 de Agosto de 1965 pelo então Bispo de Leiria-Fátima D. João Pereira Venâncio. Nesse mesmo ano, já por causa da falta de sacerdotes foi convidado para vir para o Algarve pelo então Bispo diocesano D. Francisco Rendeiro. Com a autorização do seu Bispo veio para o Algarve a 20 de Outubro de 1965 e foi para Monchique, onde trabalhou durante pouco mais de 2 anos. Depois da serra, D. Júlio Rebimbas, ao tempo Bispo do Algarve, pediu-lhe para ir para Faro, onde deu aulas, durante cerca de 3 anos, na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve. Leccionou também aulas de EMRC – Educação Moral e Religiosa Católica no Liceu em Faro e foi viver para a zona de São Luís, em Faro, com o objectivo de criar a paróquia que hoje existe, tendo sido posteriormente acompanhando pelo padre António da Rocha, actual pároco daquela comunidade. Esteve ali durante cerca de 7 anos, trabalhando simultaneamente na extinta Acção Católica, e no movimento dos Cursos de Cristandade, de que é hoje director espiritual. Em 1974, D. Florentino convidou-o para ir para Armação de Pêra e, para puder sobreviver foi dar aulas em Silves. Completou estudos em Lisboa para puder leccionar Português e Latim e foi professor durante 26 anos.