Construído em três andares, o Centro Paroquial de Nossa Senhora do Amparo conta, no piso -1, com as duas únicas valências que já funcionam há algum tempo: o refeitório social, que serve diariamente cerca de 60 refeições, e o centro de dia, que acolhe 12 idosos. No piso 1, existe a capela, a biblioteca, as salas de OTL e catequese, o núcleo paroquial da Caritas, as salas dos Alcoólicos Anónimos e das famílias anónimas, dois apartamentos para acolhimento temporário de jovens em risco, um consultório médico e o gabinete do director. No piso 2, totalmente dedicado à juventude, existe uma sala denominada ‘Espaço Criatividade’, uma sala de informática necessitada de equipamento mais moderno, um bar juvenil, uma sala multiusos e um albergue juvenil com duas camaratas separadas para 12 rapazes e 12 raparigas. Na cerimónia da inauguração, presidida pelo Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, que contou também com a presença do pároco local e grande impulsionador da obra, o padre jesuíta Arsénio da Silva, do representante do padre provincial dos jesuítas, o padre Venâncio Pina, e do presidente da Câmara de Portimão, Manuel da Luz, uma catequista do Conselho Pastoral Paroquial começou por contextualizar o acontecimento. “Crescemos a projectar horizontes de esperança. O sonho cresce, confiante no ensinamento da Bíblia. Vindo do nada, avoluma-se na vontade forte de um querer e de um olhar mais atento aos desvalidos, aos marginalizados, aos indefesos e materializa no dar as mãos de toda uma comunidade e a obra nasce”, afirmou, acrescentando que aquele centro social, “que congrega em si o amor de uma comunidade cristã que se uniu ao seu pároco para amparar crianças, jovens, idosos e quantos a vida de infortúnio expôs à caridade, pode vir a ser no contexto social uma obra de referência para todos os que precisam de pão e amor, pois alimenta-se da solidariedade criativa e gere-se com pessoas de boa vontade”. “Este centro pretende ser um convite social comprometido com os princípios da fraternidade e responsabilidade, uma resposta aos apelos da comunidade em que se insere”, frisou. O padre Arsénio da Silva lembrou que apesar do “caminho tão árduo”, a comunidade paroquial esteve “sempre determinada” e “nunca mostrou sinais de desânimo” e considerou que o centro “está vocacionado para ser um pólo de cultura e educação para os valores, tendo em conta os adolescentes e os jovens”. “Com esta dinâmica juvenil apresentamo-nos como pioneiros”, acrescentou, lembrando que a “aposta exigente e entusiasmante” “requer atenção, acompanhamento e dedicação competente”. “A dedicação de cada um não acaba nesta inauguração, mas tem de continuar com o mesmo entusiasmo. Rentabilizar estas instalações em benefício da comunidade vai ser o nosso maior desafio”, reconheceu. O presidente da Câmara de Portimão considerou que a obra “traduz um conjunto de valores que os cidadãos devem preservar e aprofundar”. “É a isto que se chama também cidadania. Todos os gestos que contrariem a intolerância, a fome, o ódio e a divisão são obras que fazem todo o sentido e são importantíssimas”, referiu, afirmando a importância da “utopia do amor”. O Bispo do Algarve começou por garantir aos muitos conterrâneos do padre Arsénio da Silva presentes que a diocese algarvia tem muito orgulho no sacerdote de Famalicão. “É um grande dom para a nossa Igreja diocesana”, destacou. D. Manuel Quintas pediu então aos presentes que não percam a sensibilidade que se sentirem “irmãos uns dos outros”. Por outro lado, o Bispo diocesano exortou ao envolvimento de toda a comunidade naquele projecto. “Quando uma obra deste cariz e envergadura é assumida pela comunidade e não apenas pelo pároco, o Bispo fica mais descansado. Quando vejo obras sociais quase exclusivamente ligadas ao pároco, tenho receio de que, quando o pároco não puder assumir, não seja possível continuá-las”, confessou, apelando ao compromisso de todos no futuro da obra e pedindo ao pároco que continue com a sua “santa teimosia”. À FOLHA DO DOMINGO, o padre Arsénio da Silva explicou que a demora na construção do centro se deveu ao facto de a obra não ter contado com apoios institucionais e governamentais. “Não nos candidatámos a fundos europeus, nem da Segurança Social, porque acho que estas obras da Igreja devem envolver a comunidade toda por forma a que seja ela própria a construir algo para si mesma”, justificou. “Os serviços do Estado depois impingem-nos um modelo, mas nós vamos ser livres para adoptar o projecto segundo o nosso sonho”, complementou o sacerdote, reforçando a opção intencional, afirmando que “o Estado não apoia obras confessionais”. Não obstante esta opção, a obra que custou cerca de 500 mil euros, contou com o apoio da Câmara de Portimão que inclusivamente foi a autora do projecto de arquitectura. O pároco ressalva, no entanto que a grande parte do financiamento foi proveniente de “dádivas anónimas” e de iniciativas da paróquia. “A Igreja canalizou toda a verba para isto”, assegurou. O prior explicou ainda que o centro social paroquial, construído em terreno doado por uma paroquiana, será assegurado apenas por voluntários, muitos dos quais jovens que foi “criando para depois serem responsáveis pela parte que lhes diz respeito”, advertindo para a “criatividade e empenhamento” necessária da parte dos colaboradores. O programa de festas da inauguração foi participado pelo Rancho Folclórico de Mogege que veio propositadamente de Famalicão para assegurar a animação. Mais fotos na Galeria de Imagens