Desde Novembro do ano passado, que esta presença daquela paróquia da vigararia de Faro marca regularmente os sábados de uma instituição que acolhe diversas valências de apoio à população do concelho de Olhão e não só, desde a primeira à última infância do ser humano. Para além do Lar e Centro de Dia para idosos, o Lar residencial para deficientes, o Centro Ocupacional de Actividades para os mesmos destinatários, a Creche, Jardim-de-Infância e ATL para crianças, o Centro Comunitário e o Apoio Domiciliário são algumas dos serviços prestados pela instituição. A iniciativa partiu da ACASO que, através da directora do lar de idosos informou a nova direcção da necessidade de animação espiritual dos seus utentes, manifestada por eles próprios. Porque a maioria, se não a totalidade dos 30 utentes, é católica, foi contactada a paróquia local que assegura a animação solicitada através de três grupos coordenados pelo casal Ângela e Nelson Farinha. Esta assistência espiritual passa pela oração do rosário, sempre enriquecida com leituras, meditações e cânticos apropriados, de acordo com o tempo litúrgico que se vive ou, como gosta de caracterizar Filomena Calão, uma dos membros de um dos grupos voluntários, simplesmente “dar presença”. Com efeito, somente munidos de uma pequena aparelhagem sonora e de uma simples viola ou cavaquinho, os paroquianos de Quelfes conseguem ir ao encontro de uma necessidade concreta da sua área pastoral, mas sobretudo ajudar a trazer de volta um pouco do brilho que teima em querer se apagar do olhar daquelas pessoas. Nadjane Barreiros, a directora do lar de idosos, considera que “é um privilégio ter este grupo aqui a dar este apoio, uma vez que não é fácil deslocar à paróquia todo o grupo de utentes, pois a maior parte deles são dependentes de outras pessoas ou de cadeiras de rodas”. A responsável garante mesmo que apesar de “portadores de várias doenças, próprias da idade”, os idosos “quando participam nesta actividade, parece que se recordam do seu passado”. “A oração do terço desperta a sua atenção”, assegura. Isabel Norberto, de 91 anos, uma das utentes da ACASO acha esta presença “muito bonita”. “Venho sempre, enquanto puder, pois sinto-me bem”, refere, lamentando unicamente a falta da celebração da Eucaristia. “Só o que faz falta é uma Missa, de 15 em 15 dias, por exemplo. Eu ia sempre à Missa e agora, desde que cá estou, nunca mais comunguei, nem me confessei e sinto-me muito triste por isso”, confessa. Joaquim Bolas, de 82 anos, outro dos residentes na instituição sublinha que “é importante virem cá fazer este trabalho”. “Isto é agradável, gosto que eles cá venham”, reconhece. Maria Defina Anica, de 65 anos, o único elemento da paróquia que acompanha semanalmente os três grupos, já reformada é ainda voluntária na instituição. “Faço parte do grupo coral da paróquia de Quelfes e venho aqui todas as tardes, desde que me reformei, ajudar no lanche e no jantar. Se Deus me ajudou sempre tanto, ao longo do tempo em que trabalhei, também agora que estou em casa posso prescindir um pouco da minha tarde para ajudar quem precisa”, salienta. Custódio Tomé, de 49 anos, outros dos participantes de Quelfes neste projecto sente que é “gratificante”. “É gratificante vir aqui porque dando recebo. É gratificante dar o meu contributo espiritual a estas pessoas que não têm esse apoio e que são colocados aqui como se de um depósito se tratasse”, justifica, considerando que “as paróquias deveriam interessar-se um pouco mais por estas pessoas”. “É importante não abandoná-las. Devia vir cá um sacerdote, não apenas nós leigos”, afirma. Filomena Calão esclarece que a experiência tem estado a mobilizar a paróquia. “Mobilizou tudo, desde jovens aos mais velhos. Procurou-se que houvesse pessoas de todas as idades e grupos da paróquia. Inscreveu-se quem quis e é uma mais valia porque une, tendo gente de todos os quadrantes da paróquia”, realça. Reconhecendo que se torna difícil para a instituição trazer os idosos, dominicalmente, à paróquia, Filomena Calão assegura que está a ser organizada “uma ida deles à paróquia pelo menos duas e três vezes por ano”.