A comunidade paroquial todos os meses fornece a estas pessoas, – na sua maioria portugueses, idosos, embora existam também alguns casais novos, – um cabaz de alimentos que ajuda à sua sobrevivência. Destes alimentos, uma pequena parte são excedentes da União Europeia, disponibilizados pela Segu-rança Social – concretamente manteiga, queijo, arroz e bolachas – e a restante maioria são provenientes da compra com o dinheiro adquirido de um sistema de quotas pagas mensalmente por associados. A esta fonte de rendimentos, o grupo sócio-caritativo junta ainda a angariação de fundos provenientes do bar dominical, onde são vendidos, após as Eucaristias, café e bolos oferecidos para esse fim. Esta Liga de Amigos do Sector Sócio-caritativo foi a principal inovação, trazida por Mariana Santos, desde 1999 a responsável por este sector da pastoral paroquial, que permitiu revolucionar as suas receitas para ajuda dos mais necessitados. Com cerca de 140 associados, cada sócio paga actualmente entre 2 a 10 euros mensais. "É conforme as pessoas queiram e possam ajudar", explica Mariana Santos. O pároco de São Pedro de Faro, o padre Manuel Rodrigues, sublinha também a importância desta inovadora estratégia. "Tem sido precioso. De facto as pessoas empenharam-se e cumprem. Associaram-se e pagam a sua quota e todo esse dinheiro é canalizado para os pobres. Creio que as pessoas já tomaram consciência disso e estão a acreditar neste projecto", salienta o sacerdote, garantindo que também "tem havido muita receptividade com o bar". O pároco explica ainda que a paróquia gasta mensalmente com este fim cerca de 600 euros em alimentos e recorda que, "para além dessas ajudas fixas, ainda há ajudas a pessoas que aparecem ocasionalmente". "Nós ajudamos desde que se detecte que há necessidade e, por isso, investigamos e averiguamos para saber se têm outros recursos. Não importa se são de outras paróquias. Interessa é ajudar as pessoas que estão necessitadas", justifica. Mariana Santos reconhece também o impulso que o serviço ganhou desde 1999, sobretudo com a entrada de muitos jovens. "O grupo já existia, mas não tinha pernas para andar. A partir daí é que as coisas começaram a ter alguma consistência", lembra, mostrando-se "muito contente pelos jovens que aderiram ao grupo". "O grupo ganhou outra dinâmica e esta vivência entre os mais velhos e os mais novos é muito salutar", explica. Aquela responsável entende ainda que "a presença e o testemunho da Igreja tem de passar pelo trabalho neste sector". "Uma pessoa expressar a sua fé e não ver no rosto destes irmãos tão carenciados o rosto de Cristo, não faz muito sentido", considera Mariana Santos garantindo que tem recebido muito mais do que tem dado. "A paróquia de São Pedro tem feito um trabalho muito meritório, embora saibamos que isto é ‘uma gota de água num oceano’. Mas se esta gota de água não existisse o oceano seria ainda mais pequeno", refere, considerando que "o pouco que fazemos honra a paróquia de São Pedro". Mariana Santos considera que a miséria está a aumentar, sobretudo ao nível dos imigrantes de Leste, e lembra que "as instituições não estão a dar resposta a este problema que é dramático". "A Câmara Municipal costumava dar uma verba diminuta mas ultimamente nem isso", refere, acrescentando: "Já tive reuniões na Câmara, ainda no tempo do anterior executivo, para sensibilizá-los para isto. "Maria", "Ana" e "Manuela" são peremptórias em reconhecer a importância desta ajuda paroquial.