Na altura, os técnicos do IPPAR puderam constatar que a generalidade dos elementos constituintes do tecto apresentavam “sinais visíveis de podridão e perda de secção”. Mas os sinais visíveis de mau estado de conservação também se têm manifestado nos últimos tempos através da queda de revestimentos exteriores e mesmo através da deslocação de algumas pedras. No final do ano passado, chegou mesmo a cair parte da argamassa de cal e areia que reveste o cunhal de pedra da torre da igreja e que provocou danos num veículo estacionado no local. Na altura a arquitecta Cristina Farias, técnica do IPPAR, confirmou à FOLHA DO DOMINGO que um ofício da Câmara de Silves à Ministra da Cultura e ao presidente do IPPAR a alertar para o mau estado de conversação da cobertura terá motivado a realização do então elaborado e o acompanhamento daquele instituto. O pároco de Silves lamenta no entanto não ter havido qualquer desenvolvimento em relação ao processo da Sé e assegura que “está tudo na mesma”. Entretanto, a comunidade paroquial, segundo a recomendação do IPPAR, limitou desde o final do ano passado o espaço de culto à exígua zona das abóbadas nervuradas de pedra, onde aparentemente não existe o perigo de queda da cobertura, o que causa constrangimentos na realização das celebrações. Por isso, o padre Carlos de Aquino, diz ter escrito, há cerca de uma mês, ao Ministério da Cultura com o objectivo de ser recebido pessoalmente pela ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, ou pelo secretário de Estado, Mário Vieira de Carvalho, “a fim de apresentar a realidade da Sé de Silves e as preocupações da comunidade”. “Como não obtive resposta, toda a cidade quis envolver-se e sentir o problema da Sé como um problema seu, para além da comunidade cristã”, explicou o prior, justificando o surgimento da petição promovida pela comunidade paroquial, que ainda está a ser subscrita. O sacerdote garante que foram já recolhidas “perto de 2500 assinaturas” que serão entregues no Ministério da Cultura, com um ofício correspondente àquilo que gostaria de ter dito pessoalmente à ministra. O pároco reconhece ainda que tem havido algum “desenvolvimento exterior” e aponta como exemplo a visita do historiador José Hermano Saraiva, há duas semanas, para a realização de um programa televisivo também sobre a Sé, como “forma a chamar a atenção para um monumento histórico e ímpar no Algarve e no País” e “mobilizar também o Governo para que tenha alguma rapidez na execução das obras que são urgentes neste momento”. “Também a própria Câmara de Silves, através da sua presidente, tem movido um enorme esforço, quer na relação com o Ministério, quer com o senhor Presidente da República, no sentido de que haja uma atenção particular”, reconhece o padre Carlos de Aquino que reclama que, pelo menos, seja lançando o concurso público. Para o arrastamento de todo este processo terá contribuído também a fusão entre o ex-IPPAR e a extinta DGEMN – Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais no agora novo IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico.