O sacerdote considerou “mérito” do documento do Papa ter posto em relevo que “a liturgia é a história da salvação em acto”, a “presença d’ Aquele que é a sua síntese e o seu fundamento: Jesus Cristo”. “Igualmente foi mérito o ter colocado o mistério pascal como realidade eternamente presente que se comunica em todas as acções litúrgicas”, acrescentou o orador. O padre Carlos de Aquino considerou “necessário viver a Eucaristia como um mistério de fé autenticamente celebrado”. “Celebrar é mais do que fazer juntamente ou mais do que tornar célebre alguma coisa, ainda que divina; é mais do que solenizar um facto ou acontecimento em grande assembleia, ainda que religioso; é mais do que festejar”, destacou, acrescentando que “celebrar é acolher um mistério e a novidade desse mistério que é uma pessoa: Jesus Cristo”. “Por isso, celebrar pode ser sempre um acontecimento salvífico, porque é a acção de Deus, em Cristo, no Espírito, em nós. Celebrar é através de sinais sensíveis, cada qual a seu modo, saber significar e realizar a própria santificação dos homens e do Corpo místico de Cristo, que é a Igreja, por um culto que seja expressão de verdade e de um espírito, fazendo memória do Senhor, da sua oferta ao Pai; celebrar é um momento expressivo, simbólico, ritual sacramental, no qual a liturgia se torna uma verdadeira acção que evoca e torna presente, mediante palavras e gestos, essa salvação, dom gratuito realizada por Deus, em Cristo, pelo poder do Espírito Santo”, explicou. Considerando que “valia a pena aprofundarmos o que é celebrar e a qualidade das nossas acções, dos nossos encontros em família para fazermos memória de Cristo ressuscitado entre nós”, o conferencista apontou como “celebrar a beleza que salva”. “A beleza não é um mero esteticismo ou harmonia de formas. Na liturgia a beleza é o próprio Cristo, o mistério pascal, o belo que nos atrai e que chama à comunhão consigo”, comparou, acrescentando que “na liturgia a beleza é a expressão excelsa da verdadeira glória de Deus”. O padre Carlos de Aquino deixou claro também que “a beleza não é um facto decorativo na acção litúrgica, mas o seu elemento constitutivo enquanto atributo do próprio Deus e de sua revelação em Cristo”. “A beleza deve valorizar a riqueza dos sinais litúrgicos (silêncios, paramentos, palavras, gestos). Deve colocar-se a arte ao serviço da celebração”, advertiu. Também chamou a atenção para a importância da arquitectura e para a necessidade da revisão do canto litúrgico tendo em vista o “critério da verdadeira beleza da celebração”, garantindo que se celebra a “beleza que salva” quando se participa “plena, activa e frutuosamente”. “Na maior parte das nossas celebrações estamos como assistentes e não como participantes, até porque falta acolhermos e valorizarmos a própria ministrialidade da Igreja também no contexto da celebração sagrada”, constatou o orador, acrescentando que essa participação exige condições pessoais. “O Papa aponta sobretudo duas: espírito de constante conversão e aproximação do altar da comunhão”, lembrou. O padre Carlos de Aquino defendeu ainda a necessidade de “pôr-se em evidência o valor das normas e orientações litúrgicas, que devem favorecer o sentido do sagrado”. “É curioso ouvir-se falar que há tão pouca criatividade nas celebrações, quando há tanta criatividade proposta no próprio missal que não se conhece. Às vezes a criatividade que buscamos é tão aligeirada que em vez de promover a própria celebração, empobrece-a”, lamentou. “Dar alguma atenção a todas as formas de linguagem: palavras, cânticos, gestos, silêncios, movimentos do corpo, cores, paramentos e ao perfume, que se utiliza muito pouco”, foram algumas sugestões deixadas pelo conferencista que relembrou o apelo de se “lutar sempre contra o artificialismo de adições inoportunas”.