Desta vez o Espaço João Paulo II acolheu um encontro de reflexão sobre a temática “Os Valores da Sociedade e os jovens de hoje” orientado pelo padre Carlos César Chantre, capelão da UALG. Aos jovens presentes, o orador, depois de apresentar a sua análise da actual realidade, lembrou que a Igreja deste século é sua e pediu-lhes que não permitam que esta venha a ser “uma Igreja de amorfos, mentecaptos, acéfalos ou de idiotas, porque Jesus Cristo não veio para isso”. “Jesus Cristo veio para que as pessoas sejam pessoas amadas e perdoadas”, salientou. O padre César Chantre, no decurso da sua intervenção, lamentou que a sociedade de hoje proponha valores para exaltação do indivíduo, em detrimento da afirmação da pessoa, com o objectivo de se alcançar o poder a qualquer preço. “O indivíduo leva à concorrência desenfreada”, enquanto “a pessoa leva à solidariedade”, explicaria mais adiante. “As universidades e as escolas têm de continuar a desenvolver o saber e o conhecimento mas sob pressupostos da verdade”, advertiu então o sacerdote, constatando que o conhecimento tem sido promovido “à procura do conhecimento pelo conhecimento, para que o indivíduo se afirme”, ao invés da promoção da verdade para que a pessoa se afirme. “É que, enquanto o indivíduo pode não ter relação com o outro indivíduo, a pessoa é necessariamente um ser em relação”, observou, reconhecendo que o que já havia afirmado anteriormente: “estamos numa época em que se desenvolveu muito o intelecto, o conhecimento e o saber, mas eu não sei se se desenvolveu o princípio da verdade”. Lembrando a este propósito o discurso que o Papa Bento XVI quis fazer na Universidade da Sapienza, em Roma, tendo sido impedido, o padre César Chantre criticou que, em pleno “século das liberdades”, “a grande escola do saber”, “que procura investigar a verdade”, não tenha querido receber uma “corrente do pensamento”. “Uma universidade que tem de estar aberta a todas as correntes do pensamento”, defendeu. No contexto da mesma dissertação de Bento XVI, o conferencista explicou o pensamento do Sumo Pontífice afirmando que “a verdade tem sempre como objectivo o bem”. “Se retirarmos este objectivo da concorrência dos valores actuais deixamos de ser pessoas e passamos a ser indivíduos com inteligência, portanto um massacre de indivíduos contra indivíduos porque o bem é secundário. Ora o bem não pode ser secundário, mas tem de ser um valor primário”, sublinhou. Neste enquadramento, lembrou que Jesus Cristo veio trazer uma “nova leitura dos valores existentes”. “O amor passa a ter outro significado e a reconhecer que a outra pessoa é tão ou mais importante do que eu”, constatou, considerando que “isto é um valor indiscutível, extraordinário que pode e deve ser desenvolvido nos meios académicos”, da escola secundária que se prepara para a universidade ou para o mundo do trabalho, ou da universidade em si mesma que é o “campus do saber por excelência”. “É aí que os jovens com estes valores cristãos devem fazer valer a sua força”, defendeu, considerando que “o século XXI vai ser, por ventura, de menos cristãos, mas de mais aguerridos cristãos”. “E os cristãos para serem aguerridos ou optam pela cultura e podem influenciar o meio do saber, ou optam pela ignorância e seremos equiparados aos fanáticos e às religiões que não têm nada a ver com Deus”, pois “todo o cristão que for fanático é contra Jesus Cristo”, alertou. Recordando o célebre discurso do Papa Bento XVI na Universidade de Regensburg, na Alemanha, o padre César Chantre lembrou que “o primado da razão deve nortear todas as religiões do Mundo, porque se não houver razão as religiões passam a ser instrumentos do mal e não do bem”. “Toda a religião que não se fundamenta na razão passa a ser violenta”, complementou. Lembrando que “o mal não está dentro das pessoas, mas é incutido desde tenra idade pela educação desviante ou pela ausência de educação”, concretamente “a partir do terceiro mês da gravidez”, o orador constatou que “há muita delinquência juvenil” numa União Europeia “cheia de prosápia e de euros”. No decurso de um diálogo muito participado que se gerou com a assembleia presente, o padre César Chantre destacou a “responsabilidade gravíssima” dos pais na educação dos afectos e “de que não se podem demitir”, considerando que “se há época da história em que é complicado ser pai e mãe é esta”. No próximo dia 7 de Fevereiro o Espaço João Paulo II acolherá uma noite de oração.