Segunda-feira 10 de Dezembro de 2018
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Pe. David Sequeira, 50 anos de sacerdote dedicados sobretudo à juventude e à família

O padre David Sequeira completa, dia 2 de Setembro, 50 anos de vida sacerdotal. Olhando para trás, o pároco das duas comunidades paroquiais da cidade de Tavira (Santiago e Santa Maria) constata que foi um tempo de “muitas mudanças”. Reconhecendo também ter mudado muito, o pároco da cidade do Gilão considera que os últimos 50 anos foram tempos de “mudanças de projectos” e de “reformulação de muitos programas”. “Perdemos entusiasmo, readquirimos novas forças. Foi um tempo complexo, com muita dispersão e muitas actividades”, entende o sacerdote que destaca o seu trabalho, primeiro com os jovens e depois com a família. Professor de Português e Francês na Escola Secundária dr. Jorge Correia de Tavira, o padre David Sequeira privilegiou, desde cedo a pastoral juvenil. “Na escola, sempre em contacto com os jovens, procurei aproveitar o ensino para também fazer o meu apostolado”, afirma, acrescentando: “depois, já mais tarde, e endurecido pela paroquialidade, dediquei-me particularmente à pastoral da família”. Criou então as condições para o surgimento na paróquia (de Santiago) das equipas do CPM – Centro de Preparação para o Matrimónio, das Equipas de Nossa Senhora e do movimento dos Cursos de Cristandade. Ainda no que à pastoral da juventude diz respeito, fundou o Coro Nova Esperança (actual Psallite Chorus).Embora faça, nas Bodas de Ouro da sua ordenação sacerdotal, um “balanço positivo”, o padre David Sequeira considera que até poderia ter ido mais além. “Quando chegamos a esta altura, olhamos para trás e pensamos: ‘afinal podia ter feito muito mais’. Deixo a crítica para quem a entenda fazer. A consciência que tenho é que procurei estar sempre unido ao meu Bispo, – qualquer deles –, e identificar-me com todos projectos da diocese, tendo uma grande preocupação com o Seminário, procurando ser fiel às propostas, planos e disciplina da Igreja”, complementa. O sacerdote entende que o facto de não se procurar ser fiel e unido às orientações provoca um “grande mal-estar geral” nas comunidades. “Quando os padres não respeitam determinações e orientações diocesanas, concretamente na prática dos Sacramentos, sinto que as nossas comunidades se enfraquecem e atribuo a culpa a alguns sacerdotes que não aceitam as orientações pastorais”, critica, enfatizando a colaboração com os leigos. “Temos muitos bons leigos, que estão identificados e que são zelosos e que me têm ajudado mais que alguns dos nossos párocos”, conclui. Com a responsabilidade de presidir às duas paróquias da cidade, o sacerdote parece não acusar o peso do trabalho. “Não me queixo de ter as duas paróquias da cidade. Tavira foi sempre uma cidade muito dividida e as muitas igrejas são sinal das muitas 'clientelas' que Tavira teve”, esclarece o pároco, considerando que a cidade “vem com uma tradição de 'grupelhos à volta da sua capelinha', de modo que é muito difícil construir uma comunidade”. Assim, com vista ao futuro, o padre David Sequeira aconselha mesmo os responsáveis pela pastoral da diocese a colocarem apenas um ou dois sacerdotes para a cidade toda, “para que não se cave um fosso” entre comunidades. “Isto acaba com certas rivalidades que não são benéficas para a unidade”, justifica. Na retrospectiva que faz destes 50 anos identifica alguns caminhos por o­nde se enveredou, mas que, no seu entender, foi necessário corrigir. “Implementei em Tavira o movimento do Caminho Neocatecumenal, mas depois de seis ou sete anos em Santiago vi que não era aquele movimento o que melhor servia a paróquia”, refere. Tendo passado na altura para a paróquia de Santa Maria, “o movimento tem hoje pouca visibilidade em Tavira”, afirma o padre David Sequeira. “O projecto que D. Manuel Madureira quis lançar na diocese, intitulado ‘O Algarve, comunidade fraterna a crescer’, foi mais teórico, desconhecendo talvez um pouco a mentalidade e situação das paróquias algarvias. Sempre achei que foi algo feito apenas no gabinete. Não era viável”, considera. Das dificuldades por que passou, ao longo deste meio século em que tem sido sacerdote, o padre David Sequeira destaca a mudança do regime. “Na altura, ao ver todo aquele despautério e toda aquela engrenagem montada, por certas forças, para atacar a Igreja fui sempre uma voz contra-atacante e sempre denunciei as arbitrariedades desses movimentos”, recorda, lembrando os “dissabores e as ameaças” que isso lhe valeu. “Foi um momento um bocadinho complicado mas passou”, conclui.Relativamente ao futuro, que “a Deus pertence”, assegura que não projecta “nada”. Com 75 anos de idade mostra algum cansaço e, embora se sinta ainda “com algum vigor”, refere não querer “cair de pé”. “Tenho pedido ao senhor D. Manuel que se lembre de mim”, afirma. “Penso que, para darmos algum dinamismo a esta terra, era bom que pusesse aqui alguém ou para me ajudar ou para que eu o ajudasse. Temos estruturas capazes de agradar a um padre novo que o senhor Bispo queira mandar para aqui. Tavira precisava de alguém com dinamismo que, com uma certa coordenação, desse aqui um impulso pastoral, principalmente aos jovens”, afirma. Natural de Alcantarilha, terra vocações sacerdotais para a diocese Nascido em Alcantarilha a 28 de Julho de 1931, o padre David Sequeira entrou em 1944 para o Seminário Diocesano, em Faro. Foi ordenado sacerdote na igreja paroquial de Alcantarilha a 2 de Setembro de 1956 por D. Francisco Rendeiro, então Bispo do Algarve.De 1956 a 1962 exerceu o cargo de prefeito e professor do Seminário Diocesano e, como bolseiro da Fundação Gulbenkian, frequentou o Instituto Pontifício de Música Sacra de Roma, entre 1962 e 1965, durante o Vaticano II. Fez o magistério em Canto Gregoriano e a licenciatura em Composição Sacra.Em 1969 foi nomeado pároco de Santiago de Tavira pelo então Bispo do Algarve, D. Júlio Rebimbas, tomando posse a 28 de Setembro.Fez o curso de Filologia Românica pela Universidade Clássica de Lisboa e efectivou-se como docente da antiga Escola Secundária dr. Jorge Correia, o­nde leccionou até aos 67 anos de idade. Mais de metade da geração activa do concelho de Tavira terá tido o padre Sequeira como professor. Fundador e maestro do Coro Nova Esperança (actual Psallite Chorus), por o­nde passaram mais de 300 jovens, desde 1989, o sacerdote foi ainda co-fundador do quinzenário Jornal do Sotavento, existente há 16 anos. Nos últimos 5 anos acumulou a paroquialidade de Santiago com a de Santa Maria, conferida pelo então Bispo diocesano, D. Manuel Madureira Dias.

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