Depois, a universidade escolhe os dois alunos inscritos com melhor currículo e permeia-os com um semestre numa das várias academias por eles seleccionadas, com quem estabelece estes intercâmbios internacionais. Assim, a partir do próximo dia 30 deste mês, o padre Dinis Faísca irá iniciar o primeiro semestre do 5º e último ano do curso composto pelas disciplinas de Família e Enfoque Clínico Social, Teorias de Sistema Comunicacional, Intervenção em Rede e Intervenção em Crise, Estratégias de Intervenção em Comunidades, Aprofundamento e Intervenção em Maltrato e Abuso Infanto-juvenil. O sacerdote, embora reconheça que a selecção da universidade chilena aconteceu porque “os professores consideraram que seria melhor opção”, explica que, “a nível familiar, a oferta é mais diversificada” e “melhor a nível das disciplinas”, garantindo que esse “foi um dos grandes motivos” que o fez inscrever neste intercâmbio. Recorde-se que o padre Dinis Faísca tinha inicialmente a intenção de ir para Salamanca realizar a licenciatura em Psicopedagogia, no âmbito da Psicologia Educativa, mas, por vontade da diocese algarvia, acabou por se inscrever em Psicologia com uma vertente muito voltada para o âmbito familiar. “Estou a gostar imenso”, assegura o sacerdote, elucidando que o curso, dentro da vertente familiar, “aborda um modelo psicológico que é o modelo sistémico”. “É um modelo recente e cujo princípio básico é trabalhar com a família na sua totalidade, explorando aquilo que há de melhor na comunidade familiar, partindo do princípio que é a família em si que possui os mecanismos para ultrapassar os seus próprios problemas”, complementa. No entanto, o formando explica que a licenciatura “não afunila a formação num único modelo psicológico”, pois dá aos alunos “uma panorâmica geral dos diversos modelos, a nível da Psicologia”. Outro aspecto positivo sublinhado pelo sacerdote é o facto de se proporcionar sempre uma aplicação prática de cada uma das disciplinas. De regresso a Salamanca, em Janeiro do próximo ano, o padre Dinis Faísca irá frequentar o segundo semestre do 5º ano, concluindo assim a licenciatura, com o estágio que se prolongará até Junho de 2008. O estágio será realizado em Intervenção Sistémica Familiar, acompanhando famílias com problemáticas diversas, ao abrigo de um protocolo que a Universidade Pontifícia tem com a Câmara Municipal local. A autarquia, através do Gabinete de Apoio Social, encaminha as famílias para a universidade, recebendo estas apoio gratuito. Embora faça um balanço “muito positivo”, o padre Dinis Faísca recorda que, no início a adaptação foi “muito difícil”, sobretudo a nível pessoal, porque “estava mais habituado a falar do que a escutar”. “Foi difícil também a questão da língua, mas depois as coisas foram-se superando e o curso foi-me preenchendo e motivando-me a aplicar ao estudo”, acrescenta. Também a imagem pré-concebida que tinha dos espanhóis se alterou. “Eu ia com preconceitos e ideias erradas e ao longo de todo este tempo acabei por vir a descobrir que não é bem assim. São pessoas muito generosas, e ultrapassada essa imagem de frieza inicial, são capazes de colaborar e se entregar totalmente a quem consideram verdadeiramente seus amigos”, concretizou, reconhecendo contudo que os vizinhos ibéricos “são menos acolhedores do que nós”. “Quem teve de fazer todo o esforço de adaptação fui eu e é assim com todos os estrangeiros”, justifica. Apesar disso, o sacerdote, agora totalmente integrado, até encontra semelhanças da região de Castela e Leão com o Norte de Portugal, sobretudo a nível religioso. “Os índices de prática religiosa são muito próximos”, afirma o padre Dinis Faísca, garantindo que tal como no Norte português, “as pessoas são muito arreigadas às tradições”. De momento, o padre Dinis Faísca não sabe dizer qual o objectivo da sua formação e assegura também que em, relação ao seu regresso e às possibilidades de aplicar esta sua formação, ainda não há igualmente nada definido. O trabalho na pastoral familiar é uma hipótese que não descarta embora lembre que não está a ter formação ao nível pastoral. “A minha formação é mais para trabalhar com a família, ao nível clínico e relacional e sobretudo no âmbito dos problemas que a família enfrenta diariamente”, elucida.