Na homilia, o sacerdote lembrou que a história do seu chamamento é semelhante à de tantos outros vocacionados. “«O Senhor seduziu-me», diz o profeta. O mesmo posso dizer eu, também seduzido pelo Senhor quando, há 50 anos, me chamou a consagrar a minha vida na sua Companhia: a Companhia de Jesus. É no deixar-se seduzir que está o mérito de quem aceita o chamamento, e eu deixei-me seduzir”, reconheceu, lembrando que “todo o chamamento do Senhor, que é sempre um chamamento à felicidade, é uma graça que pressupõe a liberdade”. “De outro modo seria uma desgraça, uma fatalidade que não abonaria nada, nem em favor de quem chama, nem em favor de que é chamado”, frisou, rejeitando as teses de que existe um “destino traçado”. Por outro lado, o padre Domingos Costa observou que “a vocação é sempre uma sedução de amor”. “E se isto é verdade quando se trata do amor humano, muito mais o é quando se trata da relação entre Deus e os seus filhos”, afirmou. “Cristo move-nos para onde, por vezes, não queremos, por caminhos que não conhecemos, a metas com que não sonhámos”, observou. Admitindo que a “tentação do desânimo” de Jeremias, “passa-se com todos”, lembrou as tentações de que foi alvo. “Quantas tentações de dar um «pontapé» em tudo e mudar de vida, antes de ser padre e depois de o ser, antes de vir para a Mexilhoeira Grande e depois de ter vindo”, confessou. Agradecido e “surpreendido” referiu-se aos “muitos e maravilhosos gestos de gratidão e reconhecimento” pelos seus 50 anos de vida consagrada a Deus, “nos outros e aos outros em Deus” e lembrou os principais frutos da uma vida consagrada inteiramente a Deus. “Passados 50 anos de vida na Companhia de Jesus e 33 na Mexilhoeira Grande é fácil de ver e saborear os frutos de tão longa caminhada e fidelidade e também é fácil louvar o Senhor por tanto bem recebido e oferecido, porque o bem e a bênção de Deus são para o bem e a bênção de outros. Mas esquecemos facilmente o esteve e está por detrás de tudo isso, em gestos e atitudes aparentemente insignificantes e sem futuro à vista, de cujo significado poucos se apercebiam e apercebem e muitos duvidavam e duvidam”, afirmou. “Catequeses, aulas de EMRC, grupos bíblicos, retiros, peregrinações à Terra Santa e à Turquia, livros publicados, Jardim Infantil e seus segredos, paróquia e seus Actos, Lar de Idosos, igreja da Figueira, Posto Médico e Aldeia de São José de Alcalar”, foram alguns dos exemplos dos frutos a que se referira momentos antes. “Não nasci cristão, nem jesuíta, nem padre. Fui-me fazendo tudo isso graças ao imenso amor de Deus por mim através do amor e dedicação dos meus educadores. É hoje dia de eu louvar o Senhor e vós comigo, como Maria, e de cantar magnificat, dia de dar graças a Deus e de celebrar por tanta graça recebida e por tanta graça distribuída”, referiu. No final da Eucaristia agradeceu aos colaboradores mais directos da paróquia. “Não sou eu, mas Cristo que precisa de todos”, explicou, esclarecendo ainda que escolheu aquele dia para assinalar a efeméride ocorrida dias antes, por ser o dia em que vestiu pela primeira vez a batina. Agradeceu igualmente aos funcionários do Centro Paroquial, da Aldeia de São José de Alcalar, do Lar de Idosos e do Jardim-de-Infância a oferta de uma casula e estola por eles confeccionadas, ambas bordadas com o símbolo da Companhia de Jesus, o seu nome e a indicação das bodas de ouro. No final da Eucaristia, apenas concelebrada pelo seu colega de vocação e congregação, o padre Arsénio da Silva, também outros grupos da paróquia surpreenderam o sacerdote com ofertas.