No início das celebrações, o Bispo diocesano fez questão de sublinhar a finalidade das mesmas: “dar graças a Deus pelos 12 anos em que o padre António Alves esteve à frente daquelas paróquias e pela presença do seu instituto religioso na diocese algarvia”. D. Manuel Quintas destacou assim a “presença, dedicação, generosidade e o verdadeiro espírito missionário” do pároco cessante, quase a completar 82 anos de idade, e que “chegou mesmo ao limite da sua doação e entrega”. “Por razões de idade e particularmente por razões de saúde concluímos que não é possível continuar à frente destas paróquias”, explicou o Bispo do Algarve. De entre outros marcos que assinalam o trabalho pastoral do anterior pároco das terras do Infante, D. Manuel Quintas salientou a construção da igreja de Sagres. Por outro lado, o Pastor da diocese destacou a juventude do padre Joel Teixeira, “que vem cheio de generosidade e alegria para servir” aquelas paróquias e a Igreja diocesana. Na sua homilia, o presidente da celebração salientou, com base nos termos da provisão, lida antes pelo vigário-geral da diocese, o padre Firmino Ferro, que também concelebrou a Eucaristia, que “um pároco numa paróquia nunca exerce o seu ministério de maneira isolada ou desligada do resto da diocese”. “Fá-lo em nome pessoal, mas sempre em comunhão com toda a Igreja diocesana, de maneira particular com o Bispo que o nomeia e com os restantes sacerdotes”, referiu. Tendo destacado a “comunhão de todo o presbitério com o padre Joel ao assumir este serviço” na Igreja diocesana, D. Manuel Quintas recordou que o mais jovem sacerdote algarvio não estava ali por “iniciativa pessoal”, mas “por mandato do Bispo”. “O Bispo assegura-lhe confiança, apoio e auxílio para que ele possa desempenhar bem este serviço. Esta comunhão com a Igreja diocesana é fundamental para que o seu serviço seja fecundo e esta comunidade possa crescer como comunidade cristã”, complementou o Prelado. Por outro lado, D. Manuel Quintas advertiu que, pese embora haja muitas pessoas que se dirigem unicamente ao pároco para lhe pedir serviços, “celebrar Eucaristia não é a primeira missão do pároco”, mas antes “anunciar a Palavra e pregar o Evangelho”, explicou, exortando os paroquianos a dirigirem-se ao pároco “para lhe pedir que os ajude a entender melhor a Palavra de Deus”. Pese embora tenha deixado claro que “a celebração da Eucaristia, a que se associa o Sacramento da Reconciliação, é um aspecto essencial da missão do sacerdote”, o Bispo diocesano lembrou ainda a importância da atenção à caridade. “O pároco é aquele que, numa comunidade, deve estar atento e promover a prática da caridade cristã com a colaboração de todos”, disse, lembrando que o sacerdote deve realizar tudo isto com “humildade”. Referindo-se ainda ao “modo como os paroquianos devem acolher o seu pároco”, D. Manuel Quintas recordou que “todos os cristãos são chamados a participar activamente na vida da comunidade cristã, numa colaboração activa e corresponsável com o pároco nas iniciativas propostas” e chamou a atenção que, “quando entra um novo pároco na paróquia, todas as comissões que existem são dissolvidas”. “O novo pároco deve constituir novas equipas e novos grupos”, sublinhou, destacando igualmente a importância da oração pelo próprio pároco, “para que seja sinal da presença de Deus e de Cristo no meio de vós”. Por fim, D. Manuel Quintas sublinhou que “as comunidades cristãs devem sentir-se também corresponsáveis, não só na colaboração das iniciativas e na oração, mas também no sustento do sacerdote”. “Deveis organizar-vos, de modo a que o padre Joel possa estar totalmente disponível para vós, para que vos possa ajudar a crescer na vida da fé”, concluiu. O novo pároco testemunhou a sua alegria aos presentes. “É uma alegria que venho procurando, não por serem estas paróquias, mas por poder exercer a missão a que o Senhor me chama, entregando-me totalmente a vós neste ministério, agora como pároco”, disse, explicando que, para já, não tem projectos. “Não trago planos, nada escrito, nem nada alinhavado, porque o plano que tenho e aquilo que é meu objectivo é primeiro conhecer-vos e dar-me a conhecer para que não seja um estranho, mas faça parte desta família. De nada vale ter planos muito bonitos, se depois não os conseguimos atingir”, afirmou, propondo aos seus novos paroquianos que olhassem para o futuro com “alegria, ânimo e esperança”. “Todas as dificuldades que vão aparecer neste caminho que sejam encaradas, não só por mim, mas por todos vós, como desafios e apelos do Senhor para que caminhemos e procuremos ser felizes neste caminho que hoje começamos a fazer em comunidade”, complementou. “Peço que rezeis por mim que eu vou procurar com as minhas debilidades rezar por vós”, finalizou. O padre António Alves, que agradeceu ao actual e anteriores Bispos do Algarve, bem como a todo o presbitério algarvio, agradeceu a Deus por lhe ter mostrado sempre o seu caminho e pediu perdão por alguma ofensa que possa ter cometido. Nomeado por seis anos, o padre Joel Teixeira, até aqui perfeito do Seminário diocesano, irá ainda leccionar a disciplina de EMRC – Educação Moral e Religiosa Católica em Vila do Bispo. O sacerdote continuará ainda como director espiritual dos Convívios Fraternos no Algarve. A celebração foi ainda concelebrada, entre outros sacerdotes, pelo padre Pina Ribeiro, em representação do Superior Provincial da Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (claretianos), instituto a que pertence o padre António Alves que irá agora colaborar com o actual pároco de Agualva (Cacém), comunidade onde chegou a ser prior por duas vezes. Pe. Joel Teixeira em formação para a criação da Pastoral da Saúde no Algarve Outra das missões do padre Joel Teixeira prende-se com a Pastoral da Saúde. “Queremos começar a dar os primeiros passos já este ano com a formação de uma equipa piloto que leve no futuro à implementação de uma Pastoral da Saúde que não existe na diocese e que cada vez mais é uma necessidade fundamental para o agir da Igreja hoje”, referiu o sacerdote à FOLHA DO DOMINGO. Tendo em vista este objectivo, o padre Joel Teixeira tem vindo a frequentar o primeiro semestre de um mestrado nesta área sobre “Ética e Espiritualidade” na UCP em Lisboa, cujo prazo de conclusão se prevê para daqui a um ano e meio.