Festa também materializada desde logo pela forma engalanada como o largo da igreja se apresentou, vestido de bandeiras e de uma passadeira de flores, mas sobretudo pelas largas centenas de pessoas, vindas de vários pontos do Barlavento ao Sotavento algarvio, que acorreram à missa nova do padre Joel Teixeira. Tantas que encheram por completo a pequena igreja paroquial, tendo muitas que ficar do lado de fora do templo. A homilia do recém-ordenado sacerdote foi uma autêntica projecção do estilo que pretende imprimir ao exercício do seu ministério sacerdotal. Até pela própria forma descontraída como realizou a sua homilia, apresentando-se ao ambão sem qualquer apoio escrito. Com base nas leituras, o jovem presidente da celebração apresentou uma verdadeira síntese do ministério do presbítero, sublinhando alguns aspectos mais carregados de significado para si próprio. “Ser padre não é estar acomodado. Não é estar à espera que os outros venham ter comigo, mas antes, de forma activa, colocar-me a caminho, indo ao encontro de todos sem excepção, porque todos são filhos de Deus”, começou por afirmar, sintetizando que “ser padre é estar atento aos sinais do mundo”. Para Joel Teixeira, o sacerdote tem de “estar pronto a parar quando é necessário, a ouvir e a acolher todos”. “Dir-me-ão que hoje o padre já não tem tanta influência na sociedade… Não me interessa. Não é isso que eu procuro. O que eu pretendo é estar pronto a acolher e a amar aqueles que me procuram. É para isso que eu fui ordenado”, referiu com firmeza, considerando que “ser padre é ser essas mãos e esse coração que acolhe, que está pronto a amar e a entregar-se”. Para o jovem presbítero, “o padre é um homem prudente”, “que sabe, muitas vezes, calar para que o outro se sinta amado”, mas também um homem que cai. “Não é pelas minhas forças, capacidades ou por aquilo que de bom eu possa ter que eu fui escolhido, mas sim porque o Senhor quer construir uma história maravilhosa comigo. Quer-me guiar e levar pela mão e quando eu cair, e não for capaz de avançar mais, será Ele que me pega ao colo e me leva”, salientou confiante o padre Joel Teixeira que testemunhou a sua entrega à Igreja algarvia, “a todos de igual forma”, amando-os como à sua própria família. Reconhecendo que hoje, o fogo do Espírito Santo é “grande” em sim, espera que Deus o vá “ateando e alimentando”, para que, em cada dia que passa, possa dizer: “Senhor, quero entregar-me totalmente a ti nas pessoas, naqueles que colocas à minha frente”. “Isto tudo só é possível convosco. È para vós que eu sou padre e é convosco que eu aprendo a ser padre. É muitas vezes através da vossa palavra amiga que o Senhor me vai dizendo aquilo que quer de mim”, confessou aos presentes o padre Joel Teixeira. No final da celebração, concelebrada por 14 sacerdotes da diocese algarvia, a palavra coube aos restantes dois também oriundos de Salir que deixaram alguns conselhos ao novo padre. O padre Alberto Teixeira sublinhou que “vale a pena deixarmos as coisas terrenas para aderirmos aos bens celestes” e que “só a sabedoria do Senhor nos dá a força para agarramos o que é essencial na vida”. O padre Dinis Faísca salientou a importância da “atenção e do acolhimento da sabedoria de Deus”, do Cristianismo como “caminho de felicidade” e da capacidade de escuta que o sacerdote deve ter. Por último, o pároco, padre Fernando Pedro exortou os pais presentes a sugerirem o “caminho do sacerdócio” aos seus filhos. Também a comunidade cristã local, através de um porta-voz, apresentou alguns pedidos ao padre Joel Teixeira. “Precisamos que anuncies o Deus de amor e ajudes a mudar a imagem que ainda tem a Igreja de poder, autoridade e compromisso terreno”, foi pedido. Após a celebração da Eucaristia, a festa prolongou-se na Escola Básica de Salir com a realização de um beberete.