Perante uma assembleia que encheu por completo a igreja paroquial de Quelfes e que se deslocou de muitos pontos do Algarve, particularmente de Faro, Monchique e Quarteira, o padre Miguel Neto proferiu uma homilia que constituiu autêntica bitola por onde cada presbítero deveria reger o exercício do seu ministério sacerdotal. O neo-sacerdote começou por esclarecer que a sua condição em relação à comunidade de origem. “Não foi um membro desta comunidade que quis ser ordenado padre, mas foi esta comunidade que, vendo a necessidade de ordenações sacerdotais existente na nossa diocese, suscitou no seu seio uma vocação sacerdotal, chamando um dos seus membros para o sacerdócio ministerial e o oferece agora à nossa diocese para que se atenue a carência de vocações sacerdotais existentes no Algarve”, afirmou. Com base na leitura escutada do profeta Isaías justificou que “também hoje, o presbítero, verdadeiro ungido do Senhor, é chamado não só a ser um homem de pontes, mas a mostrar o reino e o amor de Deus presente no meio dos homens”. “Hoje sinto-me verdadeiramente chamado a anunciar a Boa Nova àqueles que têm fome de Deus, que sentem no seu interior um vazio por preencher, que O procuram e não O encontram porque em muitos casos confundem o querer de Deus com os seus mais mesquinhos e humanos desejos de mero sucesso material”, complementou. “Sinto-me chamado a curar os corações atribulados que se sentem assim porque, no seu interior, não há espaço para o verdadeiro Deus e a proclamar a redenção aos cativos, mostrando que só através de Jesus Cristo conseguimos ter a verdadeira liberdade interior”, acrescentou o padre Miguel, lembrando que “só o amor e sinceridade para com Deus liberta o nosso coração daquilo que nos oprime”. “Sinto-me chamado a anunciar a verdadeira justiça, sendo a voz das muitas injustiças do mundo, não me preocupando com aqueles que se podem defender, mas usando tudo o que está ao meu alcance para que todos os indefesos possam ter uma voz e uma identidade neste mundo”, aditou ainda. Avançando na sua intervenção salientou que “o presbítero é alguém que foi ungido para a realização do reino de Deus no meio do mundo”, querendo-se, por isso, “alguém simples de coração, verdadeiramente atento às diversas realidades humanas que o rodeiam, próximo e acessível a todas as pessoas, principalmente dos mais necessitados”. “É um verdadeiro instrumento para que o Senhor Deus faça brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações e povos. O presbítero é o portador do querer e da vontade de Deus a respeito de cada homem, sendo por isso o principal agente de Deus no mundo”, referindo que “o presbítero também é chamado a ser luz, a testemunhar uma realidade que vem de Deus e, através da qual, se propõe construir para os homens um mundo novo, de vida definitiva e de felicidade total”. Por isso, destacou, o sacerdote “não actua por sua própria iniciativa, mas é resposta à escolha divina e para concretizar uma missão que Deus lhe confiou. O presbítero não deve buscar a sua glória ou afirmação, já que não vem em seu próprio nome”. Neste sentido, o novo sacerdote algarvio lembrou que “o presbítero é uma voz, através da qual, Deus passa aos homens uma mensagem”. “É à mensagem e não à voz que os homens devem prestar atenção”, observou. No decurso da celebração, que foi concelebrada por cerca de uma dezena de sacerdotes algarvios, o padre Jorge Carvalho, prior de Quelfes, dirigiu algumas palavras ao recém-ordenado presbítero, assegurando-lhe a felicidade da paróquia que o viu nascer e o acompanhou, pela sua ordenação e decisão de por a sua vida ao serviço do Evangelho e da Igreja. “Não te agarres a nada a não ser à grandeza da tua missão como padre, sem a ambição de fazeres carreira eclesiástica, mas com a missão de seres um verdadeiro pastor à imagem de Jesus Cristo. Não te esqueças nunca que o padre deve ser um pai e um irmão em quem se deve puder confiar e a quem se deve recorrer sempre que necessário”, aconselhou o padre Jorge Carvalho. O final da celebração, o padre Miguel Neto agradeceu com emoção à sua comunidade paroquial e à sua família. A assembleia respondeu emocionada e de pé com uma sentida salva de palmas. Mais fotos na Galeria de Imagens