Sobre a temática “«Formamos um só corpo, em Cristo Jesus»: a eclesiologia e os ministérios nas comunidades paulinas”, o sacerdote centrou-se na segunda das duas paixões de Paulo: a paixão pela comunidade e pela edificação da Igreja. “A primeira é a paixão por Cristo e pelo Evangelho”, elucidou o conferencista que procurou explicar a concepção de Paulo sobre a identidade da Igreja, sobre alguns aspectos do seu funcionamento e organização e sobre os ministérios nas comunidades. Traçando uma perspectiva entre o histórico e o teológico, o padre Luís Rúbio Morán salientou que “o perfume do Cristo triunfante difunde-se onde quer que passe o apóstolo, que se sente motivado a ir de cidade em cidade, até aos confins do mundo, para convidar todos a juntarem-se à marcha triunfal”. Paulo considera estes como o “novo povo de Deus fundamentado na Nova Aliança, selada na morte libertadora de Cristo e na adesão pessoal à fé”, elucidou na sua intervenção, explicando que o apóstolo, referindo-se ao novo povo de Deus, recorre a imagens alusivas, no Antigo Testamento, ao povo de Israel e que eram usadas no Judaísmo na época neo-testamentária. “Edifício ou edificação; templo, que sublinha o carácter sagrado; intocável e inviolável do povo; a plantação, que sublinha o cuidado e o crescimento; e, sobretudo, a imagem da noiva ou esposa, que sublinha a relação de afecto, ternura e entrega permanente”, foram alguns exemplos apresentados. “Paulo considera este novo povo de Deus como a nova humanidade que é nova criação realizada pela morte de Cristo”, complementou, acrescentando mais uma conhecida metáfora paulina: “Paulo compara a comunidade a um corpo que tem Cristo como cabeça”. O sacerdote explicou ainda que “as assembleias das comunidades paulinas eram, por vezes, de tipo deliberativo, mas também, e fundamentalmente, de ordem celebrativa e cultual”. Por outro lado, evidencia que “todas as comunidades têm a mesma origem, surgiram pelo acolhimento ao mesmo Evangelho, celebram os mesmos ritos e regem-se pelos mesmos princípios”. “Como sinal da comunhão universal não aparece uma organização hierárquica, mas o Evangelho”, complementa. Continuando a referir-se às características das comunidades, explicou que as mesmas eram compostas por famílias com cerca de 20, 30 membros, que incluíam parentes próximos e trabalhadores, vivendo todos uma “experiência de fraternidade”. “As pessoas contam por serem crentes e não pelos seus antecedentes ou pelas suas condições sociais de origem. Na comunidade cristã convivem pessoas de diferentes classes e horizontes, ao contrário do que acontecia na sociedade da altura”, esclareceu, justificando que “Paulo quis instaurar nas suas comunidades um novo sistema, baseado no serviço e mútua ajuda entre os irmãos, contrastando com a dependência habitual na sociedade greco-romana”. Explicou igualmente que Paulo exortava à partilha dentro das comunidades cristãs e que a sua “primeira preocupação não era o governo das comunidades, mas a coesão de grupo”. A respeito dos ministérios assegurou que “Paulo nunca chama aos responsáveis das comunidades sacerdotes ou pontífices”. “Elegeu termos que expressam ofícios, cargos, funções, responsabilidades, actividades ou condições de vida como apóstolo, profeta, mestre, catequista, evangelizador ou protector, qualificados como diaconias”, referiu o conferencista, explicando que “a diaconia expressa em primeiro lugar uma atitude de dedicação e entrega às pessoas a quem se destina como serviço ou ministério”. Sublinhando o “protagonismo da mulher na comunidade cristã” da altura, outro dos aspectos contrastantes com a sociedade de então, destacou a “integração de homens e mulheres com o mesmo nível de dignidade”, assegurando que “as afirmações de Paulo a respeito dos carismas e serviços não excluem ninguém”. “Uma quarta parte das pessoas mencionadas são mulheres e fala delas como bastante responsáveis pelas comunidades. Sobre muitas mulheres diz que se afadigaram, como ele, na construção das comunidades”, apontou o padre Luís Rúbio Morán. A concluir, defendeu que também hoje “a estrutura da Igreja deve funcionar como um organismo carismático ministerial”. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens