O sacerdote aposentado, ordenado sacerdote em 1952 no Porto que veio para o Algarve em 1962, explicou que “a publicação do livro não é outra coisa senão uma tentativa de solução para problemas antigos” que continuam ainda hoje no seu espírito. “É aqui que cabe o grande tema da democracia tal como o entende a Igreja de hoje e que vos proponho como solução”, afirmou. Referindo-se antes ao regime do Estado Novo, considerou que nunca foi “um revolucionário no sentido próprio do termo”, mas “um inadaptado e inconformado com o modelo de vida e de pensamento então em voga”, tendo sido alvo de alguma desconfiança da polícia política do Estado de então. Na apresentação que fez ao autor da obra, Ana Maria Pimenta explicou que o “gosto pela língua portuguesa” que tem o sacerdote e o “empenhamento em actividades sociais” “constituíram o principal móbil que levou o padre Rufino a escrever o livro”. Recorde-se que o padre Rufino Silva foi, durante muitos anos, professor de Português, para além de ter sido também coadjutor do pároco de Olhão e pároco em Alte e São Marcos da Serra. “Esta publicação é um acerto de contas entre uma vivência da laicidade, crescentemente proposta pela Igreja de hoje, e uma democracia moderna, sã e livre de confusões, vivida por quem deseja mais bens comuns do que particulares”, afirmou. A obra bibliográfica, composta por 82 páginas, “constitui um relato, romanceado e livre, de acontecimentos narrados na Bíblia”. “Tendo presente a fidelidade ao conteúdo central da fonte e aos subsídios históricos compulsados, esclarecemos que as reportagens descritas são fictícias, a sua estrutura sequencial, arbitrária e o seu estilo literário, moderno”, ressalva ainda o autor na nota prévia do seu livro que estará à venda em algumas paróquias da Diocese do Algarve, bem como nas livrarias Antel e Tropical, em Faro, pelo valor de três euros.