O contributo dos algarvios no peditório de rua da Caritas, a única fonte de receita pública da instituição, ascendeu assim este ano aos 8.070,03 euros, quase o dobro quando comparado com o valor conseguido o ano passado, que foi de 4.931,24 euros, menos ainda do que a verba partilhada em 2007 que atingiu os 5.408,83 euros. O presidente da Caritas Diocesana do Algarve constata que, “apesar de todos estarmos a sentir a crise, a solidariedade para com os mais necessitados é mais do que evidente”. Carlos Oliveira, agradecido em nome dos mais carenciados ao algarvios, aponta dois factores preponderantes para o sucesso da colecta deste ano. Destaca o “forte empenhamento das comunidades paroquiais, através dos seus voluntários” e a “fortíssima ajuda que deu o Corpo Nacional de Escutas que, pela primeira vez, se empenhou num peditório da Igreja a nível diocesano”. “Há que salientar todo o esforço daqueles que, não pertencendo à Caritas, por exemplo a Sociedade de São Vicente de Paulo, que também quiseram colaborar connosco. É de salientar porque contribuíram para que o aumento fosse significativo”, complementa aquele responsável, adiantando ainda que “o número dos voluntários que não pertencem ao CNE também aumentou”. Carlos Oliveira considera mesmo que “desta vez houve uma sensibilidade muito grande da parte dos párocos em mobilizar as suas comunidades paroquiais para o peditório”. “Havia comunidades paroquiais que não faziam peditório e desta vez fizeram-no com muito proveito”, testemunha. Segundo Carlos Oliveira, igualmente importante foi a “visibilização do trabalho da Caritas na semana do peditório”. “Este ano entendeu-se que, a nível nacional, deveríamos dar uma certa visibilidade [ao trabalho da Caritas] porque também as carências dos portugueses são muito mais graves”, explica aquele responsável da Caritas algarvia, reconhecendo que “teve um papel importantíssimo” a entrevista concedida, na RTP, à jornalista Judite de Sousa pelo presidente da Caritas Portuguesa. “De uma forma simples e humilde, testemunhou à sociedade portuguesa a situação que encontramos no dia-a-dia nos nossos serviços de atendimento”, afirma Carlos Oliveira, considerando que “a demonstração da aplicação dos dinheiros que a Caritas recebe tem contribuído para que as pessoas reconheçam muito a missão e a acção da instituição”. Recordando o trabalho realizado na acção social e caritativa nas comunidades paroquiais, no apoio concreto às pessoas, na ajuda às vítimas dos fogos, no serviço aquando do grande fluxo imigratório para Portugal, constata que “as pessoas começaram a ver uma resposta da Caritas para muitos problemas” e que partilharam porque “vêem na Caritas um parceiro credível para minimizar o sofrimento daqueles que mais necessitam”. Segundo o presidente da Caritas Diocesana do Algarve, o resultado da partilha dos Algarvios servirá, como sempre, para “apoiar os casos mais graves”.