O Encontro destas novas Comunidades conheceu este ano a sua segunda edição. A primeira, ocorreu no Pentecostes de 1998, sob a égide do Papa João Paulo II, acontecimento que os cerca de quatrocentos mil participantes, que estiveram concentrados na Praça de S. Pedro, recordaram através do visionamento de um vídeo. O saudoso Papa Woytila foi um grande apoiante destas novas formas de espiritualidade, e para o demonstrar incentivou os seus amigos Chiara Lubich, fundadora dos Focol ares, Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, Monsenhor Luigi Guissani (já falecido em 22 de Fevereiro de 2005) que igualmente criou o Movimento Comunhão e Libertação, Kiko Arguelo, iniciador do Caminho Neo-Catecumenal e muitos outros dirigentes de Movimentos e Comunidades eclesiais de base, a realizarem um Congresso que ocorreu no Pentecostes de 1998 e que agora se repetiu sob o tema “A beleza de ser cristão e a alegria de o comunicar”. Bento XVI recebeu estas centenas de milhares de cristãos na Praça de S. Pedro e com eles celebrou uma grande e inolvidável vigília de oração que culminou com o canto de vésperas. Na ocasião o Santo Padre apelidou estas novas realidades eclesiais como “escolas de liberdade”. Pessoalmente, devo confessar que, formalmente, não faço parte de nenhum Movimento, o que não significa que não os aprecie e valorize a todos. Todos são muito importantes, porque são um caminho, propõem uma espiritualidade, constituem um carisma, que se adequa à sensibilidade e à vocação dos cristãos que a eles aderem, que assim são ajudados no seu crescimento na fé. No seio dos Movimentos, os cristãos podem desde logo quebrar o anonimato que muitas vezes prevalece nas grandes Paróquias, podem sentir-se mais e melhor identificados, ser tratados pelo seu próprio nome, manter estreitas relações de amizade e comunhão com os outros membros, serem melhor acompanhados, expressar e viver mais livre e espontâneamente a sua fé, com gestos, ritos e estilos que tocam as sensibilidades de cada um e que geralmente no seio de uma Comunidade mais ampla, até porque Comunidade de Comunidades, como é a Paróquia, não podem ter sempre lugar. Em suma, os Movimentos e a sua espiritualidade são o caminho da salvação para os seus membros e isso é merecedor de todo o respeito, apoio e incentivo. Na diversidade e pluralismo dos Movimentos, vejo como que uma expressão das diferentes línguas e linguagens inspiradas pelo Espírito Santo desde a manhã do primeiro Pentecostes, como uma nova possibilidade de a Igreja falar adequadamente a cada um, pois “cada um é cada qual e deve ser tratado como tal”. Nesse sentido o Papa Bento XVI declarou que apenas o Espírito Santo pode transformar a confusão em comunhão, tornando “os corações capazes de comprender as línguas todas, porque restaura a ponte autêntica de comunicação entre a terra e o céu”. Foi isso que se viveu neste Pentecostes em Roma e também um pouco em Faro, o­nde os Movimentos existentes na Diocese se reuniram com o nosso Bispo e animaram, com os seus cânticos, com os seus ritos e com as suas expressões a missa estacional na Sé Catedral. Em Roma, como em Faro, como aliás em toda a Terra, os Movimentos quiseram dizer ao Papa e aos Bispos diocesanos “estamos prontos para a missão, a Igreja pode contar connosco”.