É facto incontroverso que um dos fins de toda a actividade humana, desde o simples lavrador aos técnicos e especialistas das ciências e das artes passando pelos operários, todos trabalham e se afadigam alcançarem a recompensa devida. Se examinarmos a História veremos grandes figuras dedicadas tanto à sua própria causa, como ao bem comum e salvação dos seus, e, se fizermos a pergunta: tudo isto para quê? Chegaremos sempre a esta conclusão: buscam o prémio de suas canseiras, qualquer que ele seja. Uns pelo desejo de glória e honra, outros pela cobiça da riqueza e todos pela satisfação de recompensa. O mesmo sucede com os sentidos da alma. Amamos e dedicamo-nos para conquistarmos a dedicação e o amor. De facto, é sempre a ideia do prémio a reger as acções humanas. Erguem-se estátuas aos salvadores da Pátria, aos salvadores da humanidade; realizam-se festas pelos feitos desta ou daquela personagem, celebra-se o mérito desta ou daquela figura, umas vezes real, outras imaginário… O mundo é assim, vê alguma verdade, desconhece o mais íntimo e real e fixa-se tantas e tantas vezes no aparente. Ao lado dos heróis celebrizados, muitos iguais ou superiores no mérito, ficam na sombra. Sim, o mundo além de parcial e injusto é ignorante. Vê o exterior, admira o retumbante, desconhece o sublime e o heróico das acções mais íntimas realizadas a sós na consciência do homem. Que prémio pode dar a uma vitória espiritual a uma conquista do bem e do Amor? Reconhece sim, os grandes feitos humanos, mas como pode ver as lutas íntimas da alma, as vitórias sobre as paixões, os "sins" ao Bem e à Verdade? Não vê, não pressente, não acredita… Mas ainda que visse e compreendesse com que monumentos poderia celebrizar estas realizações sublimes da alma humana? Pode o mundo perpetuar a memória das batalhas e feitos dos heróis, pode levantar monumentos aos mais ousados protagonistas da História, mas nem toda a pedra e bronze do mundo conseguiriam coroar o acto heróico de uma alma dedicada… É ver como esta ignorância, incapacidade e injustiça do mundo se mostram no famoso monumento ao soldado desconhecido. Houve heroísmo na I Grande Guerra, milhares e milhares de soldados do dever; mas pessoalmente e individualmente quem poderá distinguir este heroísmo? – Deus. Sim, só Deus vê tudo, está-Lhe patente o mínimo movimento da vontade, vê os actos grandes e pequenos de cada homem, a fraqueza e o heroísmo. Só Ele pode justamente premiar porque só Ele é omnipresente para ver e omnipotente para dar…