O presidente da Comissão Política do PSD silvense, explicou à FOLHA DO DOMINGO que o que motivou a vigília foi apenas a reivindicação do arranjo do telhado e não a manutenção geral do edifício também necessária. José Soares entende que “o Estado está a descartar-se da sua responsabilidade de fazer os arranjos necessários no telhado”. “O telhado está orçamentado, há um ano, em cerca 370 mil euros e é muito provável que no futuro vá ter uma grande derrapagem porque condições estão a deteriorar-se”, complementa. José Soares recorda que o mais significativo exemplar do gótico algarvio é um dos monumentos mais visitados no Algarve. “Já que o Primeiro Ministro apela a um turismo de qualidade e que o Algarve tenha uma boa oferta para os seus turistas, então que a igreja de Silves tenha as obras necessárias para receber esses turistas”, reivindica. Aquele responsável não descarta ainda a possibilidade de o PSD levar o problema ao Parlamento. “Se isto continuar a arrastar-se durante muito mais tempo é muito provável que o PSD tome outro tipo de iniciativas com vista a levar esta questão à Assembleia da República”, disse. Isabel Soares garantiu já ter contactado todas as entidades possíveis, particularmente o Presidente da República, o Primeiro Ministro e o Ministério da Cultura. “Fiz chegar o descontentamento e estado de conservação do edifício porque é o mais emblemático de todo o Algarve”, justificou, acrescentando que depois de ter convidado o novo ministro da Cultura a visitar a antiga catedral algarvia, José António Pinto Ribeiro manifestou a sua disponibilidade para a visita “dentro de algum tempo”. A presidente da Câmara de Silves confirmou ainda ter recebido na última sexta-feira uma nova informação do IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico que lhe voltou a confirmar não ter dinheiro para fazer as obras. Isabel Soares assegura ainda que a anterior ministra da Cultura lhe propôs várias vezes que a autarquia encontrasse um mecenas para financiar os trabalhos. “Entendo que o Ministério da Cultura é que tem de dar o primeiro passo”, contestou, assegurando que a substituição ministerial “veio fazer regressar todo o processo à estaca zero”. A autarca refutou ainda que a degradação da Sé se tivesse acentuado com as obras do espaço circundante à igreja. “Por questões arqueológicas foi quase tudo feito a «pincel e bisturi»”, elucida. Garantindo que ainda “ninguém perdeu a esperança de ver a Sé restaurada”, o padre Carlos de Aquino, considerou “falacioso o argumento de que é preciso um intercâmbio com as Câmaras e um mecenas, uma vez que esta obra foi classificada como Monumento Nacional desde 1922, cabendo ao Estado, como casa do Estado, não só reconstrui-la, mas conservá-la e velar pela sua manutenção”. “Nas várias tentativas que os anteriores párocos fizeram para valorização do espaço, as obras foram embargadas”, constatou, lembrando que também ele próprio já pediu autorização para algumas intervenções, sem que houvesse deferimento. O sacerdote garante ainda ter deixado ao secretário de Estado da Cultura que “a paróquia tem todo o interesse em comparticipar naquilo que for possível no respeitante à reconstrução da Sé”. Aos presentes na manifestação de sábado à noite, o pároco da Sé considerou que “a política seguida a respeito da conservação, manutenção e restauro da Sé de Silves tem sido uma fraude”. “Não nos vamos calar junto dos espaços próprios e de intervenção para que, quanto antes, as obras se iniciem na Sé”, garantiu o prior.