Esta desconfiança diz respeito ou refere-se às mais variadas instituições que vão desde os Tribunais, Segurança Social, Sistema Educativo, passando, está claro, pelos políticos… Existe um sentimento generalizado desprestigiante sobre o modo como funciona o sistema da justiça, as esperas sem fim para o desenlace dos pleitos, gerando-se, deste modo, um descrédito insanável, agravado, muitas vezes, por sentenças inesperadas e de difícil compreensão… O sistema educativo tem sido mais um contínuo sistema de experiências do que uma planificação bem estruturada e segura, com objectivos concretos exequíveis e de resultados práticos. A palavra de ordem neste sector tem sido, de há muito a esta arte, de experimentar, experimentar e mais experimentar… Daí que devido a tanta experimentação muitos alunos chegarem às Universidade com uma muito fraca preparação. Basta atentarmos nas múltiplas queixas dos professores universitários que vão denunciando esta deficiente preparação no que concerne sobretudo aos conhecimentos da língua mãe. Chegam, pois, às nossas Universidade alunos a falar com dificuldade e a escrever com imensos erros quer a nível de sintaxe quer a nível morfológico… Mas é sobretudo quanto à política e aos nossos políticos que os portugueses têm a maior desconfiança. Sentem-se defraudados tanto com os que se assentam no Parlamento, como nos que governam, digamos assim, as autarquias. E a causa principal desta desilusão assenta na realidade corruptora que prolifera por toda a parte. Sem dúvida que há muitos, responsáveis pela "coisa pública" sérios e verdadeiramente empenhados no bem comum. De qualquer modo, subsistem dúvidas e ouvem-se a cada passo as mais diversas opiniões sobre os políticos que alguém já definiu como aqueles que pensam uma coisa, dizem outra e fazem outra. Não terá tudo isto algum fundamento de verdade? Daí, pensámos nós, quão vantajoso seria para todos os políticos lessem e pusessem em prática o que Platão escreveu na "República" sobre o verdadeiro político, definindo-o, precisamente, como aquele que desinteressadamente se preocupa com o bom governo da cidade… Oxalá que as coisas se modifiquem para que os portugueses deixem de ser os europeus mais desconfiados das suas próprias instituições.