Em declarações à Lusa o presidente da Caritas no Algarve, Carlos Oliveira, alertou que alguns dos recentes casos de pobreza no Algarve estão relacionados com o aparecimento da chamada "pobreza envergonhada". Pessoas que já viveram sem problemas monetários e que por causa do desemprego, excessivo endividamento ou outro problema deixaram de assumir os compromissos económicos, nomeadamente o pagamento de casa e carro. A Caritas do Algarve avisa que vai redobrar a atenção "para novos casos de pobreza" ou "agravamento de situações precárias". "Temos de reforçar o nosso trabalho nas ajudas que estamos a dar, nomeadamente na ajuda medicamentosa, comida ou pagamento de casa, água e luz", considerou Carlos Oliveira, consciente da necessidade de se criar um plano para enfrentar a crise alimentar mundial. A instituição identificou no Algarve, nos últimos anos, 1.500 famílias a necessitar de ajuda, ou seja entre "três mil a quatro mil pessoas pobres" e precisam de apoio alimentar, ou ajuda medicamentosa, ou ajuda para pagar a casa, luz e água, observou aquele responsável. Apesar do Algarve ser considerada uma região rica, muito devido ao turismo, as cidades do litoral, a par do cada vez mais desértico barrocal algarvio onde vivem idosos isolados, são as zonas onde há registo de mais pobres. Em Faro há 420 famílias atendidas pela Caritas e só este ano está previsto distribuir seis mil quilos de alimentos na capital de distrito, disse o presidente da Caritas do Algarve, acrescentando que distribuíram nos últimos anos no Algarve cerca de 90 mil quilos de alimentos aos pobres identificados pela instituição. A escassez de bens de primeira necessidade "vai ter uma repercussão durante vários anos, não é um problema [que se solucione] num, dois ou três anos", lamentou Carlos Oliveira. No âmbito da crise alimentar mundial, a Comissão Permanente da Caritas Portuguesa alertou no fim-de-semana passado as autoridades para prepararem programas de apoio a carenciados que prevêem, irá causar danos graves no país. "O espectro da fome paira assim sobre a cabeça dos mais necessitados, incluindo de muitos portugueses", com "muita gente a viver abaixo do limiar de pobreza e com esquemas de apoio social muito deficientes", referiu a Caritas Portuguesa. Os portugueses devem ser alertados para a sua "responsabilidade na luta contra o desperdício de produtos energéticos e de bens alimentares" e as autoridades e organizações não governamentais devem aumentar a sua atenção aos casos problemáticos. A Caritas considera que Portugal está "na linha da frente" daqueles que mais sofrem "com a elevação dos preços internacionais e a escassez dos bens de primeira necessidade no mercado".