Este ano, o Presidente Cavaco Silva resolveu galardoar dois católicos, um sacerdote e um leigo, que se notabilizaram ao serviço da Igreja e da sociedade. O primeiro Bispo de Setúbal, D. Manuel da Silva Martins, foi condecorado com a Grã – Cruz da Ordem Militar de Cristo e o Dr. Eugénio da Fonseca, Presidente Nacional da Cáritas Portuguesa e da Direcção da Cáritas Diocesana de Setúbal, foi galardoado como Grande Oficial da Ordem do Mérito. Dois homens, dois cristãos, um bispo e um leigo, que se notabilizaram pelo serviço aos mais pobres, aos mais desfavorecidos, particularmente aos desempregados do Distrito de Setúbal, mas não só. D. Manuel da Silva Martins é natural de Leça do Balio, concelho de Matosinhos, Diocese do Porto, de que foi Vigário-Geral – aliás o primeiro Vigário Geral nomeado por D. António Ferreira Gomes, mal aquele grande Bispo do Porto regressou do exílio – tendo sido eleito em 16 de Julho de 1975 para primeiro Bispo de Setúbal, uma nova Diocese então criada, onde se destacou pelas suas lúcidas, oportunas e proféticas intervenções de denúncia das injustiças sociais e da exploração dos mais fracos, pronunciando-se abertamente perante o poder político, de todo e qualquer poder político, sem olhar a cores, incómodos causados ou interesses instalados, pela criação de melhores condições de vida para os trabalhadores. As suas intervenções foram tão fortes e convincentes, que o Governo acabou por reconhecer a gravíssima situação social que se vivia no Distrito de Setúbal, criando um Programa especial para o fomento económico, empresarial e social da região sadina. D. Manuel Martins, continua a ser um observador muito atento da realidade social portuguesa e ainda recentemente manifestou à Rádio Renascença as suas maiores reservas em relação à projectada "flexisegurança", declarando ter "muito medo" de que o esquema da "flexisegurança" venha acentuar "toda esta filosofia super liberal" causadora de mais desemprego, lamentando que os Estados modernos se preocupem tanto com "os resultados da chamada macroeconomia, sem se importarem com as multidões, com os exércitos, que andam cá por baixo" . Já o Dr. Eugénio José da Cruz Fonseca, é natural de Setúbal, onde reside e trabalha, é casado e pai de dois filhos. Exerceu o cargo de Presidente da direcção diocesana da Cáritas de Setúbal com tal dinamismo e competência que a Conferência Episcopal o chamou a exercer o cargo de Presidente Nacional da Cáritas Portuguesa, onde já vai no terceiro mandato, tendo sido entretanto eleito Presidente Adjunto da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social – CNIS. É com muita alegria que vemos estes dois grandes nomes da Igreja de Setúbal, associados e agraciados pelo Presidente da República no Dia de Portugal de 2007. D. Manuel Martins, confidenciou à comunicação social que hesitou em receber a condecoração que lhe foi atribuída, mas que acabou por aceitá-la "pois tal gesto poderá fazer bem à Igreja que serviu". Andou bem o Presidente Cavaco Silva nas escolhas que fez: para o Bispo emérito a Ordem de Cristo, para o leigo empenhado na acção sócio-caritativa a Ordem do Mérito. Primeiro Cristo e depois o Mérito! Mérito que afinal é dos dois condecorados e o maior mérito que ambos têm, é desde logo serem discípulos de Cristo, discípulos e testemunhas credíveis e consequentes, que foram capazes de levar a mensagem do Evangelho, por palavras e obras, obras concretas e notáveis, para o difícil campo da intervenção social, não só para denunciar as gritantes injustiças, mas também para anunciar a boa nova da justiça social, promovê-la e realizá-la.