Partindo, pois, desta verdade facilmente verificamos que o Primeiro de Maio tem de ser a Festa do Homem Trabalhador, isto é, de todos os trabalhadores qualquer que seja a sua actividade. Ao mesmo tempo, o Concílio Vaticano II afirma a respeito do trabalho e de quem o exerce o seguinte: “O trabalho humano, que se exerce na produção e na troca dos bens económicos e na prestação de serviços, sobreleva aos demais factores da vida económica, que apenas têm valor de instrumentos”. Este trabalho, empreendido por conta própria ou ao serviço de outrem, procede imediatamente da pessoa, a qual como que marca com o seu zelo as coisas da natureza, e as sujeita ao seu domínio. É com o seu trabalho que o homem sustenta, de ordinário, a própria vida e a dos seus; por meio dele se une e serve aos seus irmãos, pode exercitar uma caridade autêntica e colaborar no acabamento da criação divina. Mais ainda: “sabemos que, oferecendo a Deus o seu trabalho, o homem se associa à obra redentora de Cristo, o qual conferiu ao Seu trabalho uma dignidade sublime, trabalhando com Suas próprias mãos em Nazaré. Daí nasce para cada um o dever de trabalhar fielmente, e também o direito ao trabalho; à sociedade cabe, por sua parte, ajudar em quanto possa, segundo as circunstâncias vigentes, os cidadãos para que possam encontrar oportunidade de trabalho suficiente. Finalmente, tendo em conta as funções e produtividade de cada um, bem como a situação da empresa e o bem comum, o trabalho deve ser remunerado de maneira a dar ao homem a possibilidade de cultivar dignamente a própria vida material, social, cultural e espiritual e a dos seus”. Enfim, eis o que, em síntese, devemos ter presente para que, de facto, o Dia do Trabalhador seja comemorado no seu mais autêntico sentido.