Recorde-se que, ao cabo de 76 anos de dedicação à Igreja algarvia, primeiramente em Monchique, no Colégio de Santa Catarina, e, nos últimos 52 anos, em Faro, no Colégio de Nossa Senhora do Alto, as irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (FHIC) irão, no início do próximo ano lectivo, passar a gestão daquela instituição e sobretudo da formação de muitas gerações, de crianças e jovens, a uma comunidade de irmãs salesianas. O anúncio foi feito pelo Bispo do Algarve no contexto da última assembleia plenária do Conselho de Pastoral da Diocese do Algarve. Embora sem querer avançar muito quanto à origem e composição da comunidade religiosa para o colégio da diocese do Algarve, garantindo que se está a “estudar as possibilidades”, a superiora provincial admitiu apenas que a comunidade salesiana de Paderne poderá manter-se, frisando que “o manter-se poderá ser de muitas formas”. A irmã Maria da Conceição Santos não adiantou assim muito quanto ao número de religiosas que irão integrar a comunidade, nem em relação à origem das mesmas, se serão todas oriundas de Paderne, todas de outra zona do País ou uma junção de algumas de Paderne e de outras tantas de fora da diocese. No entanto este último cenário parece afigurar-se como o mais provável até porque a superiora provincial veio acompanhada pelas irmãs Libânia Castanheira e Gorete Pereira, da comunidade de Paderne e por uma outra salesiana de fora da diocese. Entretanto a FOLHA DO DOMINGO apurou que a composição mais provável deverá ser mesmo de quatro religiosas, estando ainda por definir a última consagrada. A irmã Maria da Conceição Santos reconheceu que não foi fácil aceitar esta proposta, até porque “estas coisas nunca são fáceis”. “Mas Deus passa também por aquilo que é menos fácil”, considerou, acrescentando que “é uma questão de colaboração com a Igreja local”. “A pedido do senhor Bispo, porque o nosso carisma é essencialmente educativo, achámos que, apesar de todas as dificuldades que as congregações têm, e também a nossa, podíamos ajudar pastoralmente nesta situação do Colégio que está já a funcionar com os serviços entregues a pessoas leigas, nomeadamente a administração e direcção pedagógica. Portanto a presença das irmãs salesianas aqui vai ser essencialmente uma presença pastoral”, explica. No entanto, ressalva que o modelo educativo salesiano será naturalmente implementado. “Com certeza que algum aspecto da pedagogia salesiana vai entrando quase por osmose porque não pode ser de outra forma e esperamos não desiludir”, justifica, acrescentando: “procuraremos respeitar tudo aquilo que já está e muito bem e por isso temos tentado perceber como é que tem funcionado”. Sobre a data da entrada das salesianas a religiosa assegurou ainda não ter sido definida, sendo certo que as irmãs FHIC sairão no final do próximo mês de Julho. A irmã Maria da Conceição Santos considerou ainda o Colégio de Nossa Senhora do Alto “uma obra bonita e exigente como todas as obras educativas num tempo em que é difícil educar”. “Penso que é possível colaborarmos com os pais e com o pessoal que trabalha cá, com o Bispo e com o director para que podermos continuar a fazer desta casa uma casa de educação”, disse. Esta será assim o 11º estabelecimento educativo entregue em Portugal à gestão das irmãs salesianas que trabalham já em escolas e colégios de Viana do Castelo até Vendas Novas. De saída do Colégio de Nossa Senhora do Alto estão as duas irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição que continuaram nos últimos dois anos a assumir sozinhas o colégio da Igreja algarvia depois da partida dos restantes membros da comunidade. A irmã Maria Engrácia Oliveira trabalhou 18 anos no Colégio de Nossa Senhora do Alto, enquanto a irmã Maria Joaquina esteve apenas 6 anos. O Bispo diocesano, D. Manuel Quintas, já manifestou publicamente a sua tristeza por ver partir da diocese aquela comunidade das irmãs FHIC, garantindo que a Igreja algarvia “olha com gratidão para este instituto que se responsabilizou por esta obra durante tantos anos” e “que tanto deu à Igreja do Algarve”. O Prelado manifestou igualmente o “reconhecimento pela disponibilidade e generosidade que as irmãs salesianas revelaram em assumir a obra”.