D. Manuel Quintas, que sublinhou o facto de aquela celebração introduzir os fiéis na vivência do Tríduo Pascal – núcleo essencial da vida cristã por se celebrarem nele os mistérios centrais da fé cristã – que prossegue hoje (Sexta-feira Santa) e amanhã (Sábado Santo), destacou o sentido e a importância daquele sacramento que é fonte e cume da vida da Igreja. “Toda a vida da Igreja, ano após ano, século após século, consiste em perpetuar a memória de Cristo neste dom de quem se dá todo a todos, fazendo-se não só companheiro de viagem, mas alimento de vida e de eternidade”, explicou o Bispo diocesano, motivando os cristãos a entregarem também a sua vida por Cristo, ao fazerem memória da Sua entrega por si próprios. D. Manuel Quintas, que frisou, com base na exortação apostólica ‘Sacramentum Caritatis’ do Papa Bento XVI, que “graças à Eucaristia a Igreja renasce sempre de novo”, deixou claro que “quanto mais viva for a fé eucarística no povo de Deus, tanto mais profunda será a sua participação na vida eclesial”. “Toda a grande reforma está de algum modo ligada à redescoberta da fé na presença eucarística do Senhor no meio do seu povo”, justificou, garantindo que “participar na Eucaristia e redescobrir pela fé a presença eucarística do Senhor, comungar o Corpo e Sangue de Cristo, significa tornar cada vez mais íntima e profunda a própria pertença Àquele que morreu por nós”. Tomando como exemplo o lava-pés, realizado por Jesus na Última Ceia para “ilustrar a dimensão fraterna da Eucaristia”, o Prelado destacou a “dupla e inseparável dimensão presente no mistério eucarístico” da “comunhão com Deus e comunhão com os irmãos”. “A mística do sacramento tem um carácter social porque a união com Cristo é ao mesmo tempo união com todos os outros. Eu não posso ter Cristo só para mim, só posso pertencer-lhe unido a todos. Há efectivamente uma estreita relação entre o mistério eucarístico e o compromisso social a que somos chamados. A Eucaristia é sacramento de comunhão entre irmãos que aceitam reconciliar-se em Cristo. Só esta tensão constante para a reconciliação permite comungar dignamente o Corpo e Sangue de Cristo”, evidenciou D. Manuel Quintas, referindo-se ao mesmo documento do Papa. Desta forma, o Bispo do Algarve salientou que “quem participa na Eucaristia deve empenhar-se na transformação deste mundo, marcado por tantas formas de violência e de guerra, pela ganância e pela corrupção económica das quais estamos neste momento a sofrer as consequências”. “A celebração no mistério eucarístico exige de nós a denúncia de tudo quanto desrespeita a dignidade do ser humano”, advertiu. Considerando que a Eucaristia está na origem de tudo o que são e realizam os cristãos na Igreja e no mundo como discípulos de Cristo, o Bispo diocesano apelou a que aquele mistério santíssimo seja “verdadeiramente acreditado, devotamente celebrado e intensamente vivido”. D. Manuel Quintas lembrou que “a celebração e a adoração eucarísticas permitem abeirarmo-nos do amor de Deus e a ele aderir pessoalmente até à união íntima com o Senhor”. A terminar, advertiu para o sentido do gesto do lava-pés como sinal de que a missão dos cristãos, como imperativo da participação eucarística, deve ser exercida no serviço ao próximo. Como é hábito, no final da celebração foi colocado o Santíssimo Sacramento em lugar de destaque para adoração dos fiéis, por só se voltar a celebrar a Eucaristia na Vigília Pascal de Sábado Santo, tendo sido desnudado o altar. Veja as fotos da Semana Santa 2009 na Galeria de Imagens