D. Manuel Quintas no início da Eucaristia fez questão de salientar o objectivo daquela iniciativa. “Congregámo-nos esta tarde em Eucaristia, mais do que para sufragar a alma do padre João, para louvarmos o Senhor pelo dom do sacerdócio que lhe concedeu e particularmente pelas 3 décadas em que partilhou convosco a vossa vida de fé”, afirmou. O Bispo do diocesano congratulou-se ainda com a iniciativa do presidente da Junta de Freguesia que, considerou, ter certamente interpretado “o sentir da população da freguesia e achou por bem trazer para junto dos populares os restos mortais do padre João Martins”. “Queria salientar que este acontecimento demonstra o apreço que nutris por aquele que foi o vosso pároco e certamente também a adesão a esta Igreja diocesana e a esta iniciativa de nos mobilizarmos todos, quer pela oração, quer pela promoção directa da pastoral das vocações”, acrescentou o Bispo do Algarve. D. Manuel Quintas aproveitou ainda a ocasião para realçar o papel do sacerdote na comunidade. “O facto de terdes tido este gesto é certamente porque este sacerdote vos diz muito”, concluiu o Bispo diocesano, lembrando que certamente o falecido sacerdote baptizou e casou, alimentou a fé com a Palavra e com a Eucaristia, muitos dos presentes. Lamentando que nos dias de hoje os sacerdotes não possam estar tão plenamente identificados com a vida das paróquias, por assistirem simultaneamente mais do que uma comunidade, D. Manuel Quintas lembrou que “mais importante do que o que um padre na faz ou não faz, é aquilo que ele é e representa para cada um como sinal e presença de Deus, como apelo aos valores do Evangelho, como interpelação para uma vivência mais profunda e consciente da fé e como convite a viver essa mesma fé, celebrando-a na Igreja, mas testemunhando-a na própria vida”. O Bispo diocesano destacou o homenageado como uma “pessoa simples, humana, próxima e desprendida” e garantiu que toma o seu exemplo como lição para si próprio. “O padre João foi o que foi no meio de vós porque viveu de uma maneira plena esta dupla dimensão do amor para Deus e ao mesmo tempo todo para vós”, referiu o Prelado. Após a celebração da Eucaristia, a pequena urna com os restos mortais, acompanhada pelos populares, foi transportada pelo carro funerário para o cemitério debaixo de um tempo chuvoso e triste. À chegada ao cemitério, o Bispo do Algarve realizou uma pequena oração e bênção, mas não se pôde proceder à colocação da urna na sepultura definitiva devido ao mau tempo que se fazia sentir. O presidente da Junta de Freguesia, Manuel Viegas dos Santos, enalteceu a capacidade com que o saudoso sacerdote se entregava aos problemas locais, recordando o seu contributo para a solução dos problemas relacionados com a emigração. O padre João Martins foi pároco de Querença entre 1950 e 1980.