O auditório tornou-se pequeno para a afluência de pessoas que foi além de uma centena de participantes, destacando-se uma numerosa participação de jovens. O moderador do debate, o diácono Luís Galante, após a saudação e breve apresentação levada a cabo pelo pároco da matriz de Portimão, padre José Pedro Martins, referiu, numa primeira aproximação ao tema, que no magistério da Igreja, a questão dos Direitos Humanos é uma realidade consignada, citando a encíclica “Pacem in Terris” de João XXIII e também, João Paulo II. Após esta breve apresentação do que se viria a debater, passou a apresentar os oradores da mesa: Paulo Mendes Pinto – que viria a expor uma perspectiva judaica acerca dos Direitos Humanos presente na Sagrada Escritura – e Dimas de Almeida – que se referiu a uma perspectiva neo-testamentária dos mesmos direitos. O primeiro orador, Paulo Pinto, não tendo podido estar presente devido a imprevistos de última hora, enviou o seu texto/reflexão que foi lido pelo seminarista Eurico Caetano. Paulo Pinto lembrou que, no 60º aniversário da Carta dos Direitos da Humanidade, interessa olhar para um passado distante de dois milhares de anos, “para perceber como muito do que hoje desejamos se começou a jogar nesse tempo já tão distante”. “A dignidade humana nascia de um compromisso entre criaturas que se viam como criadas pelo mesmo Deus e para a mesma casa. Numa verdadeira ecologia social, o respeito pelos compromissos, o achar que tudo se regia por leis, o dar apoio ao outro por esse outro poder vir a ser uma peça importante no todo social, eram formas de equilíbrio”, justificou o conferencista no seu texto, referindo-se ao “ecossistema das cidades hebreias”. O segundo orador, Dimas de Almeida, debruçou-se acerca da relação entre o texto bíblico e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, concluindo que esta última, “apesar de ser um texto laico, tem subjacente uma tradição judaico-cristã”. Referindo ainda que, na Bíblia encontramos um Deus que está do lado do mais fraco, débil e desprezado, considerou a Sagrada Escritura como “coração que pulsa em favor da dignidade do homem e da mulher”. Pegando em passagens, quer da Declaração Universal, quer da Bíblia, foi desenvolvendo as duas perspectivas acima expostas. Após este tempo de exposição dos temas, seguiu-se um período de questões e intervenções por parte do público presente que se mostrou muito interessado. Veja as fotos da exposição na Galeria de Imagens